Chapadão do Bugre, o segundo romance de Mário Palmério, onde figura José de Arimatéia, é um romance baseado numa história real e misteriosa ocorrida no interior de Minas Gerais no início do século, fato que não seria relevante se o povo da cidade em que tudo ocorreu, Passos, não acabasse por eleger a obra de Palmério como a mais original das versões sobre o episódio. Este foi o romance para o qual vinha colhendo, desde o êxito de Vila dos confins, abundante material lingüístico e de costumes regionais, e que recebeu de toda crítica os mais rasgados elogios. Lançado em outubro de 1966, o romance teve inúmeras edições. Mais amadurecido no manejo da composição, atuando com desembaraço e verdade no levantamento dos tipos mais expressivos de sua galeria de personagens, Mário Palmério, como este chapadão do Bugre, confirmou sua condição de ficcionista de ato nível, de escritor capaz de transpor para a literatura a linguagem e os costumes do homem do interior. Altamente dramático, cruel e violento, o romance prende o leitor pela sua trama, mas é o tom de conversa entre compadres que o torna inesquecível.





