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    Adeus a Aleto -

    Roberto Muniz Dias

    Escândalo
    2011
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9788565319027
    Português Brasileiro
    4.3
    9 avaliações
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    Favoritos4Desejados9Avaliaram9
    Resenhas (2)Ver mais
    Valdeck Almeida de Jesus picture
    Valdeck Almeida de Jesus23/03/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Loucura e sanidade num romance realístico

    Por: Valdeck Almeida de Jesus A leitura de “Adeus a Aleto”, de Roberto Muniz Dias me levou apenas poucas horas de “gostosa preguiça, jogado languidamente sobre um velho sofá, numa casa qualquer, em um bairro qualquer, de uma qualquer cidade do Sudoeste baiano, em plena Sexta-Feira da Paixão de Cristo”. Poucas horas porque o livro é de fácil leitura, a escrita e a pujança da história/estória faz qualquer leitor devorar avidamente as páginas, numa compulsão comparada somente à sexual do autor-personagem. Tenho a obra como uma auto-reflexão, seja no espelho do banheiro, seja nas idas e vindas a tantas cidades e corpos do Além-Mar, o Velho Mundo, imundo aos olhos dos puristas, casto aos olhos dos mais depravados... Dúbio e fantasioso aos olhos de quem não vive. A morte do autor-personagem narra a morte se si mesmo, caindo no abismo, com asas de papel ou imaginárias, em queda-livre, num fosso imaginário, metafórico. Como castigo pela própria morte, na sequência, a culpa lhe possui, numa espécie de culpa-consciência resultado do uso de cigarro, bebida, prática de sexo sem fronteiras, tentativa de roubo de uma história fictícia para compor um novo livro. O castigo vem em forma de memórias remoídas e desejos de recobrar uma inocência perdida numa brincadeira de esconde-esconde, interrompida por uma chuva que levou os cheiros de sexo e de mato pisado. Pisados foram os gozos, o blues, Amy e todas as fantasias. Os parceiros seguintes trazem um pouco do menino duplo: o eu consciente, de carne e osso, que deseja o sexo, a penetração; o eu idealizado, poliglota, pensador e poeta. Como conciliar os dois, como praticar o sexo de carne e osso sem macular o anjo e o ideal de homem, mesmo não acreditando nos perversos castigos de um Deus macho? Esta pergunta não tem resposta, mesmo que vários Nikovs sejam encontrados em motéis, quartos cheios de mofo e cheiros que remetam ao passado longínquo do paraíso perdido... Este Nikov-Príncipe-Encantado, persoangem principal do livro é o amor idealizado, a “media naranja”, a tampa da panela e a alma-gêmea que todos procuram, inclusive e, principalmente, o autor-personagem de “Adeus a Aleto”... Adeus se dá uma vez. Mas na lacônica despedida desse Aleto, 300 páginas de um romance não são suficientes para expurgar todo o desejo por pecado e castigo de sua prática (leia-se: vida plena). Em cada esquina, um amor; em cada medo, uma retomada e uma certeza de que este amor será o último e verdadeiro. Nas sombras e nos escombros, no medo que o quintal escuro potencializava, a esperança de encontrar o menino da brincadeira de esconde-esconde se reacende, a ânsia por confiar no inconfiável, a certeza de poder acreditar num desconhecido. É esta a única chama que mantém a busca pelo amor ideal. O mesmo ideal que pode unir perversão e santidade, numa união possível e verdadeira. Mais possível e verdadeira, no entanto, é o poder de matar os fantasmas, os desejos, através da morte das personagens “pecadoras” e pervertidas. Um auto-retrato, uma auto-visão no espelho do banheiro, em imagem embaçada e reprimida, negada. O negado, o proibido, o erro pecador, a aventura no desconhecido, levam a personagem-narrador a descobrir, nas esquinas escuras das cidades visitadas, a verdade da vida: ninguém é santo e ninguém é pecador; mas todos fingem ser santos, enquanto satisfazem, na calada da noite, todos os instintos mais recônditos. Deus está dormindo de madrugada! Quem não quer ter um alter ego que fale inglês e outras línguas fluentemente? Quem não deseja ser dois, três, cinco, seis, sem medo de ser feliz? Quem não deseja poder morrer “três vezes”, num pulo no abismo, matando os vários Nikovs que lhe habitam a mente? Atire a primeira pedra...

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 9
    • 5 estrelas67%
    • 4 estrelas11%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas0%
    Roberto Muniz Dias profile picture

    Roberto Muniz Dias

    Roberto Muniz Dias é Professor, romancista, dramaturgo, mestre em Literatura pela UNB (Universidade de Brasília) e doutorando em literatura pela UFPI. Formado em Letras Português/Inglês e Direito pela UESPI (Universidade Estadual do Piauí). Foi premiado em 2009, pela Fundação Monsenhor Chaves com menção honrosa pela obra “Adeus Aleto”. Foi premiado pela FCP (Fundação cultural do Pará) com o texto teatral As divinas mãos de Adam, como melhor texto teatral de 2015, e o Troféu em Cena 2018 pelo texto teatral A bacia de Proust. Ainda recebeu os prêmios 16º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade de 2016; 3º Prêmio educando para o respeito à diversidade sexual e Prêmio beijo livre direitos humanos 2017, todos na área de Educação. Recentemente, foi premiado com o troféu Os melhores do teatro Piauiense(2019) pela peça Dorothy.

    10 Livros
    9 Seguidores
    Piauí, Brasil

    Roberto Muniz Dias