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    Nova Reunião: 23 Livros de Poesia - Carlos Drummond de Andrade - vol.1 -

    Carlos Drummond de Andrade

    BestBolso
    2009
    420 páginas
    14h 0m
    ISBN-13: 9788577991600
    Português Brasileiro
    4.3
    202 avaliações
    Leram388Lendo43Querem206Relendo3Abandonos12Resenhas5
    Favoritos36Desejados206Avaliaram202

    Volume 1, Oito Livros de Poesia: - Alguma Poesia - Brejo das Almas - Sentimento do Mundo - José - A Rosa do Povo - Novos Poemas - Claro Enigma - Fazendeiro do Ar Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira, Minas Gerais. Em 1921, vivendo em Belo Horizonte com a família, teve seus primeiros trabalhos publicados no Diário de Minas. Em 1924, conheceu Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral e nessa mesma época deu início a uma longa correspondência com Mário de Andrade, de quem recebeu orientação literária. Em 1927, fixou-se em Belo Horizonte trabalhando como redator e depois redator-chefe do jornal Diário de Minas. Em 1928, publicou na Revista de Antropofagia, de São Paulo, o poema No meio do caminho, que suscitou polêmica no meio literário. Dois anos depois publicou o primeiro livro, Alguma poesia, sob o selo imaginário de Edições Pindorama. Brejo das almas foi publicado em 1934, mesmo ano em que Drummond se transferiu para o Rio como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, então ministro da Educação e Saúde. Em 1940, publicou Sentimento do mundo. Só a partir de 1942 teve seus livros custeados pela José Olympio, editora em que permaneceu até 1984, depois passou a ser editado pela Record, que publica seus livros até hoje. A década de 1950 foi marcada pela publicação de obras importantes, como Claro Enigma, Viola de bolso, Fazendeiro do ar e Fala, amendoeira. Ao completar 80 anos, o escritor recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e foi homenageado com exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Fundação Casa de Rui Barbosa.

    Resenhas (5)Ver mais
    gabriel picture
    gabriel30/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma das melhores obras nacionais de poesia

    Este primeiro volume (de três) contém vários livros do grandissíssimo Drummond, oferecendo um bom panorama da carreira dele, desde o seu livro de estreia (Alguma Poesia), até algumas obras do poeta já mais maduro e quarentão. As poesias são excelentes! É impressionante a força poética do Drummond, que fazia tanto a partir de tão pouco. Muitas vezes os poemas são simples, mas sempre são belos, a escolha de palavras jamais é gratuita, a obra soa toda fresca e popular. Não tem aquele ar "empolado" que vemos em muitos poemas. O cara era um verdadeiro mestre. Diria até que, se a poesia está errada, então é o Drummond que está certo. Ele polariza a coisa e cria um mundo todo próprio. Os poemas variam muito, mas são todos Drummond, um jeito de olhar o mundo com o qual você se acostuma e se afeiçoa. Uma espécie de erudição meio mineira, uma simplicidade misturada com uma visão genial das coisas. E uma boa dose de ternura... Os poemas políticos dão um toque especial à coisa. Drummond chega mesmo a quase se declarar um socialista e são vários poemas propondo a destruição do capitalismo. O itabirano ameaça explodir Manhattan (visionário), chama o sistema econômico de "verme", dentre outros arroubos revolucionários. Mesmo assim, contemporiza em vários momentos, consciente de que a poesia é um luxo burguês, e tá tudo certo. O livro mais elaborado é, de longe, o "Rosa do Povo", livro de mais de cem páginas que ocupa boa parte dessa coletânea. Os temas políticos abundam, mas há outros momentos e outros temas também. Muita coisa surreal e filosófica: em certos poemas, até as pedras falam, muito poema com objetos falando (isso mesmo), um deles até parece uma pequena peça de teatro, com diálogos e tudo. Sensacional... Enfim, é uma ótima coletânea, o meu livro predileto e "xodó", digamos assim, é o "Alguma Poesia", acho que ele mata a pau nessa obra de estreia, temos aqui um Drummond debochado com uns 28 anos, a poesia dele soa bastante vanguardista aqui. Fala muito de mulher, o que é compreensível (o livro deveria se chamar "o livro da perna", já que essa parte do corpo é tema de vários poemas). E também o homem atrás dos óculos e do bigode (o bigode é todo um subtema no livro também). Alguns poemas perdem um pouco a força, não porque eles seriam ruins (pelo contrário), mas porque já são tão consagrados que você já quase decorou eles. "José", "O Poema de Sete Faces", e muitos outros, todo mundo já deve ter lido umas oitenta mil vezes. Ainda são bons, mas acabam perdendo o fator surpresa. Felizmente ainda tem muito material, e muita coisa que não circula aí tão fácil, então muita gente pode se surpreender com ótimos e nem sempre tão mencionados poemas. O livro que eu menos gostei foi o "Novos Poemas", achei fraco, alguns poemas soam realmente aleatórios e vazios. Ainda devem ser bons, mas dá uma baixada no negócio. Dá a impressão de só cumprir tabela mesmo. Poema sobre Charles Chaplin sensacional, eu vou ler mil vezes e todas as vezes meus olhos vão ficar lacrimejantes. Muito emocionante... O que dizer de Drummond que já não foi dito? Eu só acho impressionante como ele soa simples e, ao mesmo tempo, erudito, é uma poesia profunda, mas que usa palavras simples e tem um tom simples de exposição. Em nenhum momento ela soa afetada, nada aqui é forçado, tudo aparece com uma naturalidade absurda. Os versos são quase todos livres, tirando um sonetinho aqui e ali, e algumas rimas, no geral ele não tem formatação alguma, mesmo assim contém uma melodiosidade muito interessante. Na verdade, o uso dos versos livres deixa a coisa menos engessada, o que também é ótimo. Alguns poemas são muito enigmáticos e são muito difíceis de entender. Mas eu gosto de imaginar que Drummond fazia esses pra tirar sarro dessa galera acadêmica que gosta de ver sentido em tudo. Até consigo imaginar o mineiro rindo meio de lado nestes momentos. Excelente coletânea, os outros dois volumes adicionam mais outros livros, a coleção completa contém 23 livros do poeta mineiro. Sensacional, tanto pra quem gosta de poesia, como pra quem quer se iniciar.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 202
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Carlos Drummond de Andrade profile picture

    Carlos Drummond de Andrade

    Nasceu em Minas Gerais, em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra, Itabira. Posteriormente, foi estudar em Belo Horizonte e Nova Friburgo com os Jesuítas no colégio Anchieta. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou <i>A Revista</i>, para divulgar o modernismo no Brasil. Durante a maior parte da vida foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguido até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.

    198 Livros
    2.1 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Carlos Drummond de Andrade