Sentimento de Mundo -

    Carlos Drumond de Andrade

    Companhia das Letras
    2012
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788535920697
    Português Brasileiro

    "Sentimento do mundo" mostra o poeta mineiro atento aos acontecimentos políticos de sua época. “Tenho apenas duas mãos/ e o sentimento do mundo”, escreve ele nos célebres versos que abrem este volume. “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,/ a vida presente”, acrescenta, em “Mãos dadas”. Esse Drummond humanista lamenta que as pessoas mantenham olhos cerrados para o mundo, a ponto de permitir a violência — a Segunda Guerra Mundial e a ditadura getulista — e de trocar a compaixão pelo egoísmo de quem vive fechado em si mesmo ou em um “terraço mediocremente confortável” (“Privilégio do mar”). Tal responsabilidade coletiva se dá inclusive nos poemas em que o autor aborda temas mais pessoais, como “Revelação do subúrbio”, no qual um retorno a Minas Gerais o desperta para a tristeza da noite vista pela janela do carro. A investigação do passado aparece também em “Confidência do itabirano”: é da cidade natal que o escritor afirma ter herdado o “hábito de sofrer, que tanto me diverte”. A visão de mundo sombria e pouco otimista não o impede de ser lírico nos delicados “Menino chorando na noite” e “Noturno à janela do apartamento”. E ainda sobra tempo para Drummond homenagear o amigo Manuel Bandeira, num “apelo de um homem humilde” que funciona ainda como um elogio e uma reflexão sobre o fazer poético

    Resenhas (12)Ver mais
    Jaqueline Furtado picture
    Jaqueline Furtado29/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sentimento do Mundo

    O mundo parece ser sempre o mesmo, e amo ver isso através da poesia. A intensidade de um poeta se parece muita com a minha no sentir, no sofrer, no amar. Achei muito bacana que essa edição conta com uma linha do tempo, sobre a vida do autor. Muitas vezes lemos um livro e imaginamos o sucesso daquele determinado autor, mas poucas vezes paramos para conhecer sua história, e acho que esquecemos que eles também eram/são humanos. São poucas poesias, mas com certeza há muita história nelas, considerando que o livro foi publicado em 1940, ainda no início da 2ª Guerra Mundial, quando tivemos uma mudança considerável na forma como o mundo passou a funcionar.

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