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    Axés do Sangue e da Esperança - Orikis

    Abdias do Nascimento

    Serrana
    1983
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    4 avaliações
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    Axés do Sangue e da Esperança são as poesias de Abdias Nascimento, em que ele canta a mulher negra, a mulher-mãe, a mulher-filha, navegando as águas profundas do amor que sustentou-lhe a vida, suas ações e suas criações.

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    @psi.adriana.scarpin picture
    @psi.adriana.scarpin13/02/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    PADÊ DE EXU LIBERTADOR

    "Ó Exu ao bruxoleio das velas vejo-te comer a própria mãe vertendo o sangue negro que a teu sangue branco enegrece ao sangue vermelho aquece nas veias humanas no corrimento menstrual à encruzilhada dos teus três sangues deposito este ebó preparado para ti Tu me ofereces? não recuso provar do teu mel cheirando meia-noite de marafo forte sangue branco espumante das delgadas palmeiras bebo em teu alguidar de prata onde ainda frescos bóiam o sêmen a saliva a seiva sobre o negro sangue que circula no âmago do ferro e explode em ilu azul Ó Exu-Yangui príncipe do universo e último a nascer receba estas aves e os bichos de patas que trouxe para satisfazer tua voracidade ritual fume destes charutos vindos da africana Bahia esta flauta de Pixinguinha é para que possas chorar chorinhos aos nossos ancestrais espero que estas oferendas agradem teu coração e alegrem teu paladar um coração alegre é um estômago satisfeito e no contentamento de ambos está a melhor predisposição para o cumprimento das leis da retribuição asseguradoras da harmonia cósmica Invocando estas leis imploro-te Exu plantares na minha boca o teu axé verbal restituindo-me a língua que era minha e ma roubaram sopre Exu teu hálito no fundo da minha garganta lá onde brota o botão da voz para que o botão desabroche se abrindo na flor do meu falar antigo por tua força devolvido monta-me no axé das palavras prenhas do teu fundamento dinâmico e cavalgarei o infinito sobrenatural do orum percorrerei as distâncias do nosso aiyê feito de terra incerta e perigosa Fecha o meu corpo aos perigos transporta-me nas asas da tua mobilidade expansiva cresça-me à tua linhagem de ironia preventiva à minha indomável paixão amadureça-me à tua desabusada linguagem escandalizemos os puritanos desmascaremos os hipócritas filhos da puta assim à catarse das impurezas culturais exorcizaremos a domesticação do gesto e outras impostas a nosso povo negro Teu punho sou Exu-Pelintra quando desdenhando a polícia defendes os indefesos vítimas dos crimes do esquadrão da morte punhal traiçoeiro da mão branca somos assassinados porque nos julgam órfãos desrespeitam nossa humanidade ignorando que somos os homens negros as mulheres negras orgulhosos filhos e filhas do Senhor do Orum Olorum Pai nosso e teu Exu de quem és o fruto alado da comunicação e da mensagem Ó Exu uno e onipresente em todos nós na tua carne retalhada espalhada por este mundo e o outro faça chegar ao Pai a notícia da nossa devoção o retrato de nossas mãos calosas vazias da justa retribuição transbordantes de lágrimas diga ao Pai que nunca no trabalho descansamos esse contínuo fazer de proibido lazer encheu o cofre dos exploradores à mais valia do nosso suor recebemos nossa menos valia humana na sociedade deles nossos estômagos roncam de fome e revolta nas cozinhas alheias nas prisões nos prostíbulos exiba ao Pai nossos corações feridos de angústia nossas costas chicoteadas ontem no pelourinho da escravidão hoje no pelourinho da discriminação Exu tu que és o senhor dos caminhos da libertação do teu povo sabes daqueles que empunharam teus ferros em brasa contra a injustiça e a opressão Zumbi Luiza Mahin Luiz Gama Cosme Isidoro João Cândido sabes que em cada coração de negro há um quilombo pulsando em cada barraco outro palmares crepita os fogos de Xangô iluminando nossa luta atual e passada Ofereço-te Exu o ebó das minhas palavras neste padê que te consagra não eu porém os meus e teus irmãos e irmãs em Olorum nosso Pai que está no Orum Laroiê! Búfalo, 2 de fevereiro de 1981" Esse livro de poemas é absolutamente imenso em estatura, fora de catálogo há mais de 30 anos, não é ele que implora a ser republicado, somos nós imploramos por tal benção. Para os mais afoitos seu pdf pode ser encontrado aqui: https://ipeafro.org.br/acervo-digital/leituras/obras-de-abdias/axes-do-sangue-e-da-esperanca/

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    Abdias do Nascimento profile picture

    Abdias do Nascimento

    Nascido em Franca (SP) em 14 de março de 1914, Abdias do Nascimento foi Político, Ativista social e Escritor. Foi um dos maiores defensores da defesa da cultura e igualdade para as populações afro-descendentes no Brasil, nome de grande importância para a reflexão e atividade sobre a questão do negro na sociedade brasileira. Teve uma trajetória longa e produtiva, indo desde o movimento integralista. Além do ativismo político, dedicou-se às artes como Poeta, Ator e Escritor. Em 1944 fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN), o qual se dedicava a formação e inserção de atores e atrizes afro-descendentes ao grande cenário artístico brasileiro. Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política (foi Deputado Federal de 1983 a 1987, e senador da República de 1997 a 1999 assumindo a vaga após a morte de Darcy Ribeiro), além de colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, criou o dia 20 de Novembro como o dia oficial da consciência negra. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília. Foi também professor benemérito da Universidade do Estado de Nova Iorque. Escreveu diversos livros e foi ativo até a sua morte, em maio de 2011.

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    72 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Abdias do Nascimento