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    Histórias Apócrifas -

    Karel Čapek

    Editora 34
    1994
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-13: 9788585490515
    Português Brasileiro
    4
    174 avaliações
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    Favoritos4Desejados233Avaliaram174

    Nos 29 textos que compõem a coletânea — elaborados no período entre as duas guerras mundiais, às vésperas da ascensão do nazismo —, o célebre escritor tcheco Karel Čapek (1890-1938) percorre um amplo arco que vai da paródia burlesca à parábola alegórica. Retomando episódios e personagens históricos, míticos e literários de um ponto de vista inusitado, estas Histórias apócrifas questionam o senso comum, os preconceitos e o totalitarismo, mas deixam sempre uma brecha para rirmos e sorrirmos de nós mesmos.

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    jota 11 picture
    jota 1102/03/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Grandes personagens das histórias universais...

    Uma história apócrifa é uma obra cujo texto não é exatamente igual àquele que seu autor escreveu. O adjetivo designa algo falso, desprovido de autenticidade, não pertencente ao autor. É o que ocorre aqui com os 29 textos do tcheco Karel Capek (1890-1938) escritos entre 1920 e 1938, ou seja, entre as duas guerras mundiais. Suas Histórias Apócrifas (Editora 34, 2017, 3ª. edição) trazem, de um modo geral, personagens históricos, mitológicos e literários bastante conhecidos de todos mas observados de um modo e em situações nunca vistos antes. Grande parte dos textos tem como base os relatos bíblicos: assim, para aproveitar totalmente a leitura, é necessário que o leitor tenha um conhecimento mais aprofundado das histórias e personagens da Bíblia. Não é bem o meu caso... Além de Cristo, Pilatos, Abraão, Lázaro etc., desfilam por aqui Prometeu acorrentado, Alexandre, o Grande, o imperador Diocleciano, Átila, o rei dos hunos, Francisco de Assis, Hamlet, Don Juan, o casal Romeu e Julieta e Napoleão. Todos os textos são satíricos, com forte carga de ironia e sarcasmo, também de certo tipo de humor. O editor brasileiro os compara, com propriedade, “(...) aos esquetes anarquizantes do grupo inglês Monthy Python.” Prossegue, afirmando que não se trata apenas de “humor fino” e “prosa envolvente”; segundo ele, com suas inusitadas histórias apócrifas Capek “(...) percorre um amplo arco que vai da paródia burlesca à parábola alegórica.” Elas “(...) questionam o senso comum, os preconceitos e o totalitarismo, mas deixam sempre uma brecha para rirmos e sorrirmos de nós mesmos.” Ou quase isso... Bem, chega de citação e vamos aos textos, a alguns deles apenas, pois são muitos, aqueles que mais apreciei. Sempre lembrando que algumas histórias não são tão engraçadas como podem parecer num resumo; elas podem provocar reflexão, não propriamente riso: podem fazer o leitor sorrir muito mais com o cérebro do que com a alma ou o coração, qualquer coisa assim. Em O Castigo de Prometeu temos uma versão hilária da lenda, com o julgamento daquele que roubou o fogo dos deuses para entregá-lo aos mortais e por isso foi severamente punido, acorrentado numa rocha e tendo seu fígado bicado por abutres. Dos tempos pré-históricos, da Idade da Pedra, em Sobre a Decadência dos Tempos, temos um casal idoso discutindo exatamente sobre isso: a decadência das novas gerações e a falta de perspectivas da humanidade, já naquele tempo. O pai reclama que o filho em vez de lascar sílex ficava desenhando bisões na caverna, uma inutilidade... O episódio de Sodoma e Gomorra é revisitado num curioso diálogo entre Abraão e Sara, em Sobre os Dez Justos, aqueles escolhidos por suas qualidades para escapar da destruição das duas cidades envolvidas em pecados. A respeito do milagre da multiplicação dos pães operada por Jesus temos Sobre os Cinco Pães, história em que um padeiro daqueles tempos se revolta e diz que não tem nada contra os ensinamentos do filho de Deus, mas ele estava competindo com seu negócio ao multiplicar e oferecer pães gratuitamente ao povo: afinal de contas o padeiro tinha de comprar farinha, contratar empregados, pagar impostos etc. Entendeu? Um episódio que parece destoar do resto do livro, porque acredito que poderia ter acontecido mais ou menos como nos é narrado por Capek, ou então não prestei tanta atenção assim na leitura, tem a ver com São Francisco de Assis e um cão desprezado, personagens do conto Irmão Francisco. E que tal um outra história de Romeu e Julieta, em texto homônimo, a verdadeira, contada por um italiano que de certo modo os conheceu muito bem, a um espantado viajante inglês admirador de Shakespeare? E Napoleão (também em texto homônimo), que era baixinho, mas para Mademoiselle Claire, uma atriz da Comédie Française, era um grande homem, sim senhor! Para finalizar o volume temos Sobre o Autor, uma resumida mas interessante biografia de quatro páginas acerca do escritor tcheco que no Brasil parece ser mais conhecido por outra obra, A Guerra das Salamandras (1936), ficção científica que reflete o clima social e político entre as duas guerras mundiais. Ele e o irmão Josef foram os criadores do termo robô (robota, em tcheco), presente numa peça de Karel de 1920, R.U.R., significando naquele tempo “trabalhador em regime de servidão”. São considerados influenciadores de Aldous Huxley, George Orwell, Philip K. Dick e Kurt Vonnegut. Nada mal, hein? Lido em 29/02 e 01/03/2010. Minha avaliação: 3,8.

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    • 1 estrelas0%
    Karel Čapek profile picture

    Karel Čapek

    Karel &#268;apek (pronuncia-se Kárel Tchápek) é considerado o principal escritor tcheco da primeira metade do século XX. Sua projeção internacional deve-se sobretudo à peça <i>R.U.R.</i> e ao romance <i>A guerra das salamandras</i>, mas sua importância e qualidade artística vão muito além dessas duas obras. Apesar da brevidade de sua vida, deixou um rico conjunto de romances, contos, peças teatrais, traduções, estudos filosóficos e artigos jornalísticos. Nasceu em 9 de janeiro de 1890, em Malé Svato&#328;ovice — à época, parte do Império Austro-Húngaro; hoje, da República Tcheca —, doutorou-se em 1915 em Filosofia pela Universidade Carlos, em Praga, e logo iniciou uma longa carreira como jornalista e escritor. Morreu em 1938, vítima de pneumonia.

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    Karel &#268;apek