Li apenas os contos, o romance não
Victor Giudice é tido como um dos maiores contistas brasileiros das últimas décadas, tendo sido, inclusive, traduzido para outras línguas. Seu conto O Arquivo (do livro Necrológio, 1972) tornou-o conhecido até no exterior. No Prefácio de O Museu Darbot e outros mistérios, Mário Prata tece elogios tão profundos sobre cada conto que você fica estimulado a lê-los imediatamente, sem largar o volume um momento. São textos marcados pela ironia, mistério e pela construção de cenários que misturam realidade e ficção. Mas no final, no meu caso, de verdade mesmo apreciei apenas dois dos nove contos que traz; dos demais nem me lembro agora. Os dois que apreciei são: o que dá titulo ao volume e que, de fato, é muito interessante, misterioso, engana o leitor com pistas falsas etc. Conta a vida de um pintor francês fictício (mas que parece extremamente real) que viveu no Rio de Janeiro e trata ironicamente o mercado de arte. O outro, de inspiração kafkiana, toma como base um famoso livro do autor tcheco, O Processo, tem o título de Jurisprudência e trata de preconceito, burocracia e violência do Estado. Do romance que se segue aos contos, Do Catálogo de Flores, li algumas páginas e não gostei, abandonei. As quatro estrelas são apenas para os dois contos citados.

