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    Memórias e Confissões Íntimas de um Pecador Justificado -

    James Hogg

    Bruguera
    1969
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    6 avaliações
    Leram6Lendo1Querem87Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados87Avaliaram6

    Escrito em 1824, a obra-prima de James Hogg é um retrato brilhante do poder do mal. Situado no início da Escócia do século XVIII, o romance relata a corrupção de um menino de educação calvinista estrita por um misterioso estranho sob a influência de quem ele cometeu uma série de assassinatos. O leitor, embora reconhecendo o estranho como o Diabo, é impedido pela sutileza da estrutura da novela, finalmente, decidir se, por toda a sua vivacidade e inteligência, ele é mais do que uma invenção da imaginação. Esta é a única edição completa das Confissões de Hogg, desde que foi publicada pela primeira vez. Todas as edições subsequentes, até agora, alteraram o texto ou omitiram o Fronteirado gravado e a Dedicação (ficcional). Em suas anotações sobre a edição de Canongate, David Groves discute o significado de ambos, em termos de estruturas de romances e ironias.

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    Ana Luísa picture
    Ana Luísa18/07/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    É do diabo que temos que ter medo?

    Em cada página deste livro eu pensava "Nossos problemas são muito mais antigos do que imaginamos", porque ainda que seja um livro de 1824, ele diz tantas coisas que tanta gente da presente sociedade deveria ouvir. O título chama a atenção por dois fatos/pensamentos: (1) A ideia de confissão de um justificado, qual seria a necessidade de confessar algo, uma vez que tudo que foi feito já teria uma justificativa aceita? (2) Ser um pecador justificado torna-o justificado por quem? Por si mesmo? Por uma ideia de 'Deus'? As suas lembranças, portanto, estão centradas na ieia de pecado ou de uma justificação? Além de todo o alarde que o título me causou, ainda há a questão desta obra trazer um dos melhores descritivos dele mesmo: o demônio. Antes de tudo, é importante entender que este não é um livro inglês ou francês clássico, mas sim escocês. Esse fato pode causar estranhamento na construção do texto, justamente pelo hábito que temos de tender a literatura europeia para esses dois grandes centros. Ademais, é preciso contextualizar o termo antinomiano, muito bem descrito na introdução do livro, sendo uma espécie de seita de cunho protestante que rejeita a lei, já que tudo está esceiro no evangelho. Desta forma, atenção nesta parte, não importa se você faz o bem, assim como não é de todo o mal fazer coisas más. Não importa o que você faça, isso não impedirá a salvação dos eleitos. Santidade não é prova de justificação. O livro, portanto, trata do extremismo religioso, o fundamentalismo e a distorção de dogmas. São dois irmãos criados de maneiras muito distintas, um deles que possui como mentor um reverendo adepto ao antinomianismo e o outro criado pelo pai, um rico devasso pecador. Este é o choque pertencente a parte I do livro, onde a criação dos irmãos e seus encontros e desecontros são descritos, em terceira pessoa. Após alguns acontecimentos da primeira parte, chegamos a segunda, a qual é narrada pelo irmão Robert Wringhim, que foi criado pelo reverendo, e adepto aos ideias fundamentalistas de seu preceptor. E aí que vem o ponto mais bacana, ele encontra um amigo, amigo este muito semelhante a ele, sobretudo em seus ideais religiosos firmes e ainda mais radicais. É o demônio. O mais incrível da obra, além de todo o contexto histórico de uma calvinismo se fragmentando em seitas na Escócia, é a maneira que a ideia do bem e o mal são apresentadas, bem como a figura do diabo, que eu concordo em ser uma bela e diria perfeita representação: ele está nos lugares que menos se espera e nunca aparecerá como um antagonista, ele pode ser até mesmo o seu próprio reflexo e estar presente nas doutrinas mais santas (e fundamentalistas) que você segue. Muitos dejàvus ao longo da leitura, deixo para encerrar um trecho que, creio eu, seja muito representativo: "Pois todo sistema de discuso popular de Wringhim parecia consistir nisso: condenar todos os homens e mulheres à destruição, e incentivar nos seus adeptos a esperança de que eram os poucos escolhidos, incluídos nas promessas, e que nunca poderiam pecar. Parece que esta farisaica doutrina é excelents e a mais agradável para as pessoas de pior caráter" Leitura essencial para entender nosso tempos.

    1 curtida

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    Avaliações

    3.7 / 6
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas0%
    James Hogg profile picture

    James Hogg

    James Hogg (1770 – 21 de Novembro de 1835) foi um poeta escocês, novelista e ensaísta que escreveu em escocês e inglês. Enquanto jovem trabalhou como pastor e numa quinta, e foi auto didacta no que conta a ler. Era amigo de grandes escritores da sua altura, incluindo Sir Walter Scott, sobre quem mais tarde escreveu uma biografia não autorizada. Ficou conhecido como "Ettrick Shepherd", uma alcunha sobre o qual alguns dos seus trabalhos foram publicados, e o nome que dei na série Noctes Ambrosianae, publicado na revista Blackwood. Atualmente, é mais conhecido pela novela The Private Memoirs and Confessions of a Justified Sinner (As privadas memórias e confissões de um pecador justificado). Os seus outros trabalhos incluem o longo poema The Queen's Wake (O acordar da rainha 1813), a sua coleção de canções Jacobite Reliques (1819) e duas novelas The Three Perils of Man (1822) e The Three Perils of Woman (1823)

    11 Livros
    2 Seguidores
    Selkirkshire, Escócia

    James Hogg