Somos acostumados a pensar em dois tipos de doenças, as físicas e as mentais. No primeiro tipo, temos a medicina e toda a parafernália tecnológica que tão bem caracteriza nosso tempo; no segundo, temos a psicologia com as intermináveis terapias e todos aqueles tratamentos e remédios para o chamado mal do século, a depressão. Mas e se existisse um terceiro grupo de doenças? Se além da mente e do corpo, a suprema dualidade grega, tivéssemos que cuidar da alma, como sugeriu Platão rompendo com toda uma corrente de pensamento de sua época? Essa é a proposição que Constantin Noica trouxe ao mundo em 1978.
Noica foi um filósofo romeno, que viveu de 1909 a 1987. Preso por diversas vezes pelo regime comunista, é um dos casos de alguém que realmente lutou pela liberdade, que sacrificou-se pessoalmente pelo direito de expressar-se e usar a razão para entender o mundo, crimes tão caros aos regimes totalitários. Viveu sua vida inteira na Romênia e foi um observador arguto da transformação da Europa para a pós-modernidade. E um de seus críticos mais ferrenhos.
Para o romeno, além das doenças físicas e mentais, havia um terceiro grupo de doenças, muito mais importante e sutil: as doenças do espírito. O grande problema era a relação com o individual, o geral e com suas determinações. Dependendo se o problema era de ausência ou de recusa, ao contrário dos outros tipos, físicas e mentais, só haveriam 6 doenças possíveis para espírito, nem menos nem mais. Seriam a ausência do sentido individual, do geral e das determinações ou a recusa do sentido individual, do geral e das determinações.
Dessa forma, Noica escreveu um pequeno livro, em tamanho, que trata da patologia dessas seis doenças. O resultado é fascinante e é impossível não utilizá-lo como chave para analisar o comportamento humano nos dias de hoje. Acredite, você nunca mais vai ver as pessoas como antes. Uma dessas obras que nos modificam.