O livro da Susanna Tamaro entrou na minha vida por conta da minha ânsia em ler escritoras italianas depois que mergulhei na Tetralogia Napolitana de Elena Ferrante, e, por conseguinte, fui tomado pela "FerranteFever". Então, nas minhas pesquisas, soube de sua existência e eis que numa bela manhã de outubro o vi na estante de uma livraria e o comprei de imediato.
Nunca um livro me caiu tão perfeitamente bem no atual contexto de minha vida como o "Para Sempre". 2020 é o ano da pandemia e para variar, na minha cidade, novembro é o mês do apagão. Então, em meio ao caos de tudo que nós estamos vivendo, ler um livro que fala profunda e intensamente sobre perdas, superações e luto era o que eu menos iria querer, porém, foi o que mais precisei nesses tempos tenebrosos de incertezas e desesperanças.
Porque a literatura de Tamaro veio no momento em que eu me encontro introspectivo, ansioso, melancólico para conversar com alguém, e a sua história me surgiu como um interlocutor me fazendo questionar as certezas mais absolutas da vida. Foi um livro que conversou página por página comigo, como se eu e o livro fôssemos dois homens resenhando na mesa de um bar bebendo nossas mágoas e desabafando as nossas desilusões.
O personagem central da história sofre uma tragédia horrível na história e esse fato mudou sua vida para sempre. Permeado de incertezas, raivas, rancor, apatia, ele foi se afunilando cada vez mais nas alegrias cotidianas até não restar mais nada para sorrir e se encontrar, enfim, no fundo do poço.
O livro tem como tema central o Luto. Tema tão mal discutido e debatido no Ocidente, porque ainda é permeado de tabus e melindres, e traz à baila uma discussão necessária. Susanna Tamaro com uma linguagem simples, porém, assertiva e pontual, traz para nós leitores o debate acerca de nossas dores mais profundas e nos impulsiona a mexer em nossas feridas. E nos mostra, ainda que timidamente, que temos o poder de escolher os caminhos mais maleáveis para lidar com o sofrimento, que ela mesma pontua em um belíssimo diálogo entre o herói e o padre: não há consolo humano para tudo isso que você sofreu. E é verdade, não há. Mas há o poder de escolha. Escolha se curar, escolha se dar uma nova oportunidade para ser feliz, escolha aprender as lições que a Vida, essa personagem tão misteriosa e enigmática, nos impõe no decorrer de nossas caminhadas.