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    Kafka para uma Literatura Menor -

    Gilles Deleuze, Félix Guattari

    Assírio e Alvim
    2003
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-10: 9723707934
    Português Brasileiro
    4
    33 avaliações
    Leram72Lendo3Querem70Relendo3Abandonos2Resenhas2
    Favoritos2Desejados70Avaliaram33

    O trabalho crítico de Deleuze e Guattari é de uma importância essencial para o conhecimento da obra de Kafka, sendo a pessoa do escritor, simultaneamente, bem reconhecível nessa exigência que Kafka se impunha através da literatura. Deleuze e Guattari disponibilizam-nos a arquitectura rizomática da obra, uma literatura frequentemente escamoteada pelo artifício falacioso utilizado por alguns intérpretes. O alemão, que Kafka nunca aceitou como língua materna, avivou, desse modo, a sensibilidade excessiva e autêntica que o escritor sentia pela linguagem, levou-o continuamente a uma confrontação com a tradição que o rodeava; Kafka Judeu Checo escrevendo em alemão. Escrita de uma vivida disjunção, literatura em diáspora, arrastada para um exílio intérmino, a obra de Franz Kafka é, desta vez, submetida a uma apreciação que ultrapassa, de muito, a análise possível, destituindo-a do pressuroso miserabilismo que todos os disparatados mitógrafos lhe atribuíram, ao autor e à obra.

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    Caio Lobo picture
    Caio Lobo08/03/2023Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Esse é O Processo de Kafka da filosofia, não dá em nada isso

    Há filósofos que eu considero que: Escrevem bem e têm boas ideias, como o Schopenhauer; Escrevem mal, mas não gosto das ideias, como o Kant; Escrevem bem, mas não gosto das ideias, como o Spinoza; E há um caso raro que eu acho a escrita péssima e as ideias horríveis. Ex.: Esta dupla nada dinâmica, Deleuze e Guattari, nesta obra. Não desceu pra mim, e ainda entalou na garganta. A dupla afirma que Kafka é um escritor que não se encaixa nas categorias tradicionais da literatura, e que sua obra pode ser compreendida de maneira mais eficaz se considerada dentro de um contexto de "literatura menor". Essa literatura menor é algo que subverte padrões da cultura hegemônica, mas não percebem (ou não citam) que a literatura sempre foi assim, pois diferente do direito onde as leis servem para serem cumpridas, na literatura e arte se criam regras para serem quebradas. Percebam que sempre houve uma literatura menor, que se torna maior, então a maior se torna a menor e se impõe. Temos um exemplo hoje em dia com o retorno da literatura clássica se impondo ao modernismo e pós-modernismo. Na verdade isso é uma característica marcante da cultura ocidental: desejo de subverter a moda do momento, e quando a subversão se torna predominante, se enjoa, não tem mais muito que inventar e se sente falta e se vê que é necessário retornar aos clássicos, sendo que alguns “subversivos” são engolidos pelos tempos e se tornam clássicos. Kafka é um clássico, e acho que Deleuze e Guattari tentaram subverter o autor subversivo, e até pervertê-lo nessa obra. Eles jogaram uma casca de banana para escorregarmos, acabou com eles mesmos escorregando na própria casca de banana. Um dos dois autores tem uma escrita boa (quando digo boa é apenas normal), mas o outro, provavelmente Deleuze, talvez por tentar ser extremamente subversivo que se torna quase ininteligível. Talvez tenha tentado quebrar o inquebrável, que é o fato de que nos últimos tentos se inventou tantas formas de escrita e representação (desde literatura, até música, cinema, artes plásticas) que já não tem muito que fazer. Gastamos todo nosso arsenal. Deleuze precisaria ter a consciência de que se pode tentar subverter, mas não de qual quer jeito, se não logo iríamos escrever coisas tipo assim: kjjfwper oekkwe´f5465fwmjf 4568f4449foj$%$#fmmd ldihf ;;sçLKj Kkç~.ngg]55 55 4 KHPiNto dmmda (não duvido nada que já tenha livros escritos somente deste modo,e mais chocante, pessoas que compram livros assim e o leem). Se buscarmos uma literatura cada vez menor, então deixaríamos um macaco, um cachorro ou um recém-nascido escreverem livros, já que seriam obras minoritárias e fora das convenções. Claro que um extremo-subversivo radical lendo isso daria a pena na mão do cachorro para me provocar, mas é isso que quero e o que acho que logo vai acontecer, é bom que me diverte ver macacos fazendo macaquices. Pareço o Monteiro Lobato criticando a subversão de Anita Malfatti, porém hoje Malfatti é cultura predominante e Monteiro Lobato o subversivo. Kafka tem o dom da agonia, nos mostra que não nos sentimos à vontade na modernidade, diria até que Kafka é pós-pós-modernista, além de nosso tempo, já mostrando o desfecho trágico e apocalíptico de todos esses modernismos e pré-estruturalismos nos levarão: há uma morte “espiritual”, a morte do gênio humano e a desumanização. De certa forma Deleuze e Guattari replicam Kafka, mas tentam ir além, tentando ser pós-pós-pós-modernistas, ou seja, já nasceram mortos. Acabaram se tornando chatos. Não digo que o livro foi de todo inútil, pois além de me ensinar tudo o que não se deve fazer quando se escreve, mostrou pontos importantes da obra de Kafka que não percebi, mas não com a interpretação dos autores (falando que Kafka é escritor vampiro, que tem tesão por máquinas, que é crítica ao capitalismo, fascismo, comunismo etc.). Dizem que a hermenêutica em nossos dias é a arte de interpretar o autor melhor que o próprio autor. Deleuze e Gattari fizeram o contrário, interpretaram mal e interpretaram até pior que eu que sou ninguém e nem nada.

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    Gilles Deleuze profile picture

    Gilles Deleuze

    O trabalho de Deleuze se divide em dois grupos: por um lado, monografias interpretando filósofos modernos (Spinoza, Leibniz, Hume, Kant, Nietzsche, Bergson, Foucault) e por outro, interpretando obras de artistas (Proust, Kafka, Francis Bacon, este último o pintor moderno, não o filósofo renascentista); por outro lado, temas filosóficos ecléticos centrado na produção de conceitos como diferença, sentido, evento, rizoma, etc. O filósofo do Corpo-sem-Órgãos (figura estética de Antonin Artaud, retomada como conceito filosófico por Deleuze em parceria com Félix Guattari). Para ele, O ofício do filósofo é inventar conceitos. Assim como Nietzsche cria a personagem-conceito de Zaratustra, Deleuze afirma em L'abécédaire, entrevista dada a Claire Parnet, ter criado com Félix Guattari o conceito de ritornelo - refrão, forma de reterritorialização (povoamento), e desterritorializaçao. Uma filosofia da imanência, dos diagramas, dos acontecimentos. As principais influências filosóficas terão sido Nietzsche, Henri Bergson e Spinoza. Uma das grandes contribuições de Deleuze foi ter se utilizado do cinema para expor sua forma de pensamento, através dos conceitos de cinema-movimento e cinema-tempo. Deleuze foi um dos filósofos que teorizou as instâncias do atual e do virtual (já elaboradas por outros pensadores), construindo um olhar sobre o mundo a partir das possibilidades: "Um pouco de possível, senão sufoco"

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    Gilles Deleuze