As várias maneiras de ser corpo.
Desde o início, a filosofia recalcou a experiência, o inominável, a carne. O pensamento europeu, metafísico e cristão sempre dissimulou o corpo em nome da “vida do espírito”. Mas, eis que, tal qual a fênix, ele ressurge das cinzas como corpo pensante, cognoscente, potência exploratória que funda a nossa percepção do mundo. É assim que, caminhando na contramão da História da Filosofia, o fenomenólogo francês Maurice Merleau-Ponty o apresenta em seu admirável “Fenomenologia da Percepção”. Partindo de uma originalíssima concepção não-representacional do pensamento o autor nos descreve uma consciência perceptiva ontologicamente anterior à consciência reflexiva. Nessa obra monumental, de leitura árida e extensa, Merleau-Ponty afirma que a subjetividade é inseparável do mundo e, portanto, do corpo: assim, eu não tenho, mas “sou” o meu corpo e estou junto a mim mesmo na medida em que estou entre as coisas e com os outros. Clássico da fenomenologia, esse livro influenciou inúmeros pensadores, tanto na filosofia quanto fora dela - haja vista o conceito de “enação”, da lavra do neurocientista cognitivo heterodoxo Francisco Varela. Inspirador e revolucionário esse livro é fenomenal!





