Caparaó - A Primeira Guerrilha Contra a Ditadura

    José Caldas da Costa

    Bom Tempo Editorial
    2007
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-13: 9788575590959
    Português Brasileiro

    ão mais de vinte homens, quase todos ex-militares, participaram da primeira guerrilha contra a ditadura militar no Brasil. Dois anos depois do golpe de 1964, apoiados por Leonel Brizola, então exilado no Uruguai, tentaram estabelecer um foco na serra do Caparaó, na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais. Uma tentativa de recriar, no Brasil, uma Sierra Maestra, uma guerrilha como a cubana, que a partir de um pequeno grupo bem articulado promoveu uma revolução. Além da perseguição militar e policial, enfrentaram sua inexperiência para sobreviver no ambiente inóspito escolhido para a ação, a desconfiança dos camponeses - que tentaram, sem nenhum sucesso, arregimentar - e as divergências internas, quando o idealismo dos primeiros instantes progressivamente vacilou. Em 1º de abril de 1967 os guerrilheiros foram capturados, numa emboscada organizada pela PM mineira. A luta desses combatentes estava praticamente esquecida - ausente das principais obras de referência sobre o regime autoritário. 'Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura', resultado de quase dez anos de trabalho do jornalista José Caldas da Costa, traz um completo relato dessa história. Foram cem horas de entrevista com alguns dos principais envolvidos na guerrilha e em sua repressão, e muita pesquisa em arquivos de jornal e documentos. O livro narra as motivações desses ex-militares, cuja luta contra seus antigos comandantes assume o simbolismo de um embate entre subalternos e chefes. Descreve as articulações internacionais, o envolvimento do governo de Cuba, que treinou parte dos guerrilheiros, e a preparação da resistência. Relata também o dia-a-dia dos combatentes, seus projetos, e o que passaram na prisão, onde um deles veio a morrer em circunstâncias misteriosas. Mas não se trata apenas de fazer justiça histórica à Guerrilha do Caparaó. O livro vai além - acrescenta informações e revela dados que modificam o que se sabia sobre esse levante. 'Caparaó' redescobre os guerrilheiros quarenta anos após a resistência armada.

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    Daniel de Oliveira Ferreira18/04/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Guerrilha Improvisada

    Quando eu vi este livro na livraria eu o comprei imediatamente porque ele trata de uma parte da resistência ao golpe militar de 1964 que eu não conhecia e que muito me interessava pois foi no Pico da Bandeira na Serra do Caparaó onde acampei pela primeira vez. O autor, com imparcialidade, descreve as penosas condições em que a Guerrilha do Caparaó se iniciou, condições estas que já pressagiavam o triste e rápido fim a que chegaria. Para mim, a grande falha tanto desta guerrilha quanto da Guerrilha do Araguaia foi a falta de apoio da população rural. Esta foi uma condição muito importante na Revolução Cubana que serviu de exemplo para a criação, por Che Guevara, da teoria do foquismo (foco), onde a revolução se alastraria em determinado país a partir de foco de resistência rural ao regime. No Brasil, assim como em outros países tais como a Bolívia, não deu certo. Outro ponto a se destacar é que o autor teve acesso a fontes primárias, ou seja, conseguiu entrevistar pessoalmente diversos "atores" da guerrilha. Esta situação dá ao livro muito mais respaldo. Enfim, o livro é bom, o autor mostra-se imparcial e o tema é, pelo menos para mim, interessantíssimo. Se puder, leia-o.

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