Roberto Italo Zanini, italiano, nascido em 1960, formado em Economia e Comércio, mas atuante como jornalista, em que seu local de trabalho é o jornal: L’ Avvenire em Roma, dedicando se em especial a temas ligados à comunicação, publicidade e mídia. É colaborador também de várias revistas e jornais católicos italianos e de um semanário de informação pela internet.
O livro: “Bakhita, Mulher, negra, escrava, santa” conta a história de Josefina Bakhita que aos seus 13/15 anos foi raptada por alguns saqueadores e a venderam como escrava e, a partir disso, sua história, sua trajetória de vida muda totalmente; mudança esta que acaba superando as suas expectativas como sudanesa, africana e cristã.
A obra foi escrita pelo escritor Roberto Italo Zanini, pela editora: Cidade Nova, com o total de 194 páginas. Começando pelo sumário, podemos dizer que é bem curto, mas os capítulos e subtítulos são bem vasto, e nas primeiras páginas encontramos “apresentação” (feita por José Carlos do Nascimento) e, em seguida a “introdução” e na última página do livro encontramos um mapa do Sudão com regiões próximas a ele.
Bakhita que não era Bakhita, mas se tornou Bakhita, pois não temos o relato do seu verdadeiro nome. Foi lhe dado este nome no dia que foi sequestrada por seus algozes, e posteriormente, descobre que o significado do mesmo se concretiza na sua vida, sendo “a afortunada”.
Então, Bakhita vivia em Darfur (África) com os seus pais e os seus seis irmãos (três meninas e três meninos), e outros quatro que morreram antes dela nascer. Com os seus 13/15 anos, (não há uma precisão exata da sua idade) enquanto brincava no campo, juntamente com uma conhecida foi sequestrada e vendida como escrava.
Das vezes que foi vendida e outras que fugiu, em nenhuma delas foi violentada, estuprada ou passou por algum outro tipo de violência, pelo contrário, Deus sempre a preservou de tal mal, e ela relata isso em uma das suas frases sobre esta particularidade da sua vida, quando diz: “Estive no meio da lama, mas nunca me sujei”.
Sabemos que o tratamento dos patrões era bem desumano contra os seus escravos; um tratamento em que havia surras, repreensões, castigos, uma alimentação precária, poucas horas de sono, muito trabalho e dormiam em lugares inapropriados, muitas vezes num chão duro. Houve um momento na vida de Bakhita que passou por um processo de tatuagem (conhecido como escarificação) que não era com tinta, mas com cortes no corpo.
Um dos seus patrões foi diferente dos demais, não tendo tanta desumanidade já relatada. O senhor Legnani, um patrão bondoso e justo.
Legnani, indo para Itália, e Bakhita sabendo da sua afeição do patrão por ela fez o pedido de ir também, e não foi decepcionada, pelo contrário, lá estava ela na Itália. Chegando neste novo país, ficou aos cuidados do senhor Michieli, e posteriormente se tornou babá dos seus filhos. Por um tempo, pois precisaram retornar à África e Bakhita tomou a dura escolha de permanecer na Itália e corresponder ao chamado de Deus para se tornar uma freira canossiana. Dura escolha, pois se afeiçoou muita à família e à Alice (a filha caçula do casal), mas mesmo assim, correspondeu ao chamado de Deus na Itália, como religiosa canossiana.
Ao ser aceita no convento, fez dali uma vida de santidade, independente das atividades ou funções. E as pessoas começaram a perceber a santidade em pessoa que ali estava; essa era a nossa querida Bakhita. Santidade esta composta de muitas virtudes e dons, sendo muitas vezes acolhedora, sorridente, amorosa, atenciosa...
E no final do livro, é relatado o seu processo de beatificação e canonização, os testemunhos das pessoas para a concretização destes dois processos.
Um livro excelente na escrita, nos relatos, nas pesquisas, ou seja, completo em todos os sentidos.
Notamos que o escritor soube colocar no papel todas as informações da vida da nossa querida Bakhita, pois enquanto fazemos a leitura do mesmo, notamos uma vastidão de informações, e mesmo com todas estas informações elas não ficaram perdidas, pelo contrário, o mesmo, consegue se localizar devido as explicações e a maneira explícita descrita no livro, e tudo isso se deu pela busca das informações, com um trabalho árduo, e que o resultado foi esse, um livro completo e perfeito.
Além das informações que enriqueceram o seu livro, também o sucesso do livro se deu através das pessoas que testemunharam sobre a vida de Bakhita, aquelas que por um tempo ou curto espaço de tempo viveram com ela; ou ainda pessoas que conversaram ou apenas relataram uma breve lembrança desta grande santa em vida.
Mas também não podemos deixar de lado a personagem da história, que é a peça fundamental para este trabalho ter dado certo, à Bakhita, pois acabou relatando momento da sua vida para uma irmã ou por cada dia que se deixava revelar-se aos seus.
De todos os livros já lidos, este com certeza é um daqueles que recomendaria, pois consegue abrir vários leques que nos ajudam a sair do nosso mundo e viajar para lugares distintos, lugares estes que são muitas vezes, conservadores, vastos e com costumes diferentes, que muitas vezes é desconhecido por nós leitores brasileiros.
Recomendaria também, por se tratar de um livro religioso, em que Bakhita mesmo sendo analfabeta consegue ser reconhecida em muitos lugares, e não por seu estudo, pois não tinha, mas por sua vivência na castidade, santidade, gratuidade e o amor pelo próximo. E sem falar, que é um livro que nos traz muitas informações, como: A questão da escravidão presente na sua época, como os escravos eram tratados, a religião presente na África e Sudão, depois na Itália; a segunda guerra mundial e como acontecia o processo dos Catecúmenos na igreja Católica. E com isso, faz aumentar o nosso vocabulário e adquirimos novos conhecimentos de mundo.