The Shadow Society é um romance sobrenatural escrito por Marie Rutkoski. A história apresenta Darcy Jones, uma adolescente aparentemente normal, embora com um passado desconhecido, até para ela mesma. Suas maiores preocupações eram conseguir cursar artes em uma boa universidade e não ser expulsa de sua casa de acolhimento atual. No entanto, tudo muda com a chegada de Conn, um adolescente estranhamente enigmático. Atração se torna traição, e o mundo de Darcy muda completamente quando informações, tanto do passado quanto a identidade dela, parecem estar em um mundo alternativo.
Eu considero The Shadow Society é melhor que os dois primeiros livros da Trilogia do Vencedor, ambos da mesma autora. É mais fluido e até divertido.
Inicialmente, gostei muito de Darcy Jones, a sua personalidade, o sarcasmo e a coragem em cuspir respostas atravessadas mesmo diante de situações perigosas, foram os pontos que me conquistaram nas primeiras páginas da história, além da forma como a autora utilizou elementos - eventos - históricos para tecer a trama no geral.
Contudo, três pontos pesaram metaforicamente sobre meu pescoço, quase afogaram minha experiência de leitura. O primeiro foi o romance. Honestamente, não sei o motivo dessa fixação chata que a autora tem em enxarcar a história com um romance sem graça. Meu problema não foi com a construção do relacionamento entre Conn e Darcy, não estava me importando muito, embora em alguns momentos - principalmente os monólogos da protagonista sobre seus sentimentos "conflituosos" sobre Conn - tenham afetado a minha leitura, pelo menos no que tange a imersão narrativa.
Outro ponto negativo foi a representação superficial da sociedade dos shades no geral. A autora apresentava a sociedade como um ninho de criminosos e terroristas, criaturas cruéis e malignas que tinham como necessidade básica matar humanos. Disfarçou um pouco, citando o genocídio dos shades - orquestrado e executado por mãos humanas -, estas que também fizeram um monumento para celebrar o genocídio. Acredito que Rutkoski não desenvolveu esse tema o suficiente. Ignorou completamente a sua complexidade.
O último ponto foi o relacionamento de Darcy com a sociedade dos shades. Além de acreditar cegamente no discurso de Conn e sua corporação - humanos vítimas, e shades vilões, a sensação era de que, se não fosse sobre seus pais e seu passado, Darcy ignorava tudo relacionado aos shades. Não se importava com a distopia que eles viviam, ou a história do seu holocausto. Eu senti meu incômodo se transformando em raiva. Honestamente, passei boa parte da história esperando a protagonista ter algum tipo de epifania. E, quando percebi que ela não mudaria, meu apego por ela apodreceu.
"É raro percebermos que nossa vida está mudando. Geralmente, ela simplesmente muda e ficamos perplexos com as consequências, nos perguntando como chegamos a essa situação."
The Shadow Society foi uma boa experiência de leitura. Embora, agora, definitivamente acredite no talento incomparável de Rutkoski em estragar personagens, e seu dedo pútrido em desenvolver romances em doses quimioterápicas; ainda assim, acredito que foi uma boa experiência - ao menos não é uma série. Então, aqui fica a recomendação de uma história sobrenatural com uma trama fraca e rudimentar.