Crescer é inevitável e evoluir é uma opção. Ao estar em contato com narrativas, tento enxergar a forma como os temas são trabalhados, independente de qual seja. Mangás shonem, em sua essência, retratam o crescimento. Naruto, por muito tempo, trabalhou bem esta questão. Crescer é estar diante de diferentes obstáculos e aprender que existe uma maneira diferente de resolver cada um deles. Estes desafios existem porque queremos o nosso lugar no mundo. Em contrapartida, o mundo não é receptivo. Ao crescer percebi que ele era diferente do que eu imaginava. Era hostil, duro e inconstante. Por muito tempo o mangá de Masashi Kishimoto conectou-se com o inicio do meu crescer. E hoje, se conecta?
Guerra é o pior momento de qualquer realidade. Hostilidade, dureza e inconsistência são levadas ao limite. Isto acontece com Naruto? Não. Ele parece ter recursos ilimitados, todos acreditam ou sucumbem ao seu discurso e as bestas, serem de poder inigualável e castigadas por diferentes gerações, simplesmente curvam-se. Entendo que o autor quer construir uma figura messiânica, mas precisa existir algum tipo de resistência. Além disso, a história parece reduzir o poder de todos para o Naruto parecer inigualável. Pareço ser um chato, porém, a obra me obriga a pensar demais, principalmente em relação aos defeitos. Por exemplo:
As Bijuus são uma metáfora para armas de destruição em massa. Foram distribuídas com a intenção de equilibrar o poder entre as vilas. Esta ideia é excelente, fornecendo identidade ao mangá. Porém, quando a raposa de nove caudas se mostra muito superior as outras, a ideia perde força porque essa informação essencial nunca mencionada e que nenhum personagem questiona essa discrepância. O ideal era ser questionado antes, construindo conflito e fornecendo mais substancia ao universo ficcional. Isso não foi feito e é resumido a um breve comentário de Hachibi.
Naruto era garoto com potencial para ser um Hokage e está tornando-se uma figura divina. Quando ouve esse salto? Por que esse salto? Se há tantas perguntas, a obra deixa de conectar-se. Em nenhum momento da minha vida me vi como um deus. Entretanto, há dificuldades que me fazem voltar a ser garoto. Por que esse aumento louco na escala de poder? Por que a menção de uma divindade somente no final da história? Por que a figura inalcançável emanando poder em vez do garoto que rompia obstáculos através da superação e criatividade mostrando o seu amadurecimento?