Viagem ao rio, mostra a do pintor Edouard Manet com 17 anos #chateado por não ter passado no vestibular… (?) é isso mesmo ele fez uma prova para ingressar na escola Naval e fracassou, sorte que houve uma mudança nas regras (?)².
“Naquela época o limite para ingresso na academia naval era de dezesseis anos. Edouard, embora só completasse dezesseis em janeiro de 1848, seria obrigado a prestar exame em julho de 1847. […] Haveria ainda a chance de uma segunda tentativa, no ano seguinte, caso não conseguisse da primeira vez. Em março de 1847, um novo regulamento, a vigorara partir de 1848, estendeu a idade máxima de admissão para dezoito anos, desde que o candidato tivesse completado um roteiro obrigatório de dezoito meses em um navio.[…]Em agosto, um novo regulamento reduziu o estágio obrigatório para doze meses de viagem, e em outubro uma nova instrução reduziu a duração inteira a uma mera travessia do equador a bordo de um navio mercante.”Beth Archer Brombert – Edoudard Manet Rebelde de casaca (editora record, 1996) pag. 36
Resumindo: é um francês num barco “cursinho pré-vestibular” .
São cinco cartas, e no final temos também alguns desenhos que Manet fez no Brasil, o adolescente parece não concordar com o apelido de “Paris dos trópicos” dado á cidade do Rio de Janeiro com inicio da europeização da cidade depois da chegada de D. João VI, ele inclusive diz que ” o palácio do imperador é um verdadeiro casebre, bastante mesquinho” e faz diversas comparações com Paris.
Vira professor de desenho no navio, faz caricaturas, come carne de boto cor de rosa, visita teatros, brinca com limões de cheiro, elogia mulatas, vai caçar na mata, é mordido por um réptil, tem esperança de levar um macaco e a lista de coisas feitas nessa viagem continua.
Mas e então … ele passou na prova quando voltou? Não.. :(
Então essa viagem não serviu para nada? No final ele percebe que realmente quer ser pintor (quando ele vira professor de desenho no navio a auto estima dele ficou mais elevada do que a do Coubert) e a experiência com a movimentação do navio ajudou posteriormente na pintura “A Batalha do Kearsarge e o Alabama”.
“As evidencias indicam que Manet não viu o Kearsage antes que ele ancorasse em frente a Boulogne e que seu quadro da batalha foi baseado em relatos de jornais e ilustrações de revistas. Se esteve presente ou não, se os navios são exatos ou não, o que importa é que a marinha é, antes de qualquer outra coisa, magistral, mostrando-nos mais sobre a potencia do mar do que sobre o poderio de duas naves belicas. Para tanto, a experiencia pessoal de Manet atraves de um atlantico tempstuoso, em 1848-49, foi mais importante que as linhas exatas do navio da União. “Aprendi um bocado em minha travessia até o Brasil”, disse ele ao pintor Charles Toché em 1875. “Quantas noites passei olhando o jogo de luz e sombra do navio! E durante o dia, no convés superior, meus olhos Jamais deixavam a linha do horizonte. Foi o que me ensinou a pintar um céu”.” Beth Archer Brombert – Edoudard Manet Rebelde de casaca (editora record, 1996) pag. 36
Livro curtinho e que é o complemento perfeito da biografia que foi tão citada nessa resenha “Edouard Manet Rebelde de casaca” da Beth Archer Bromber.