Passei o livro inteiro confrontando o que lia, lançando perguntas, discordando, encontrando sentidos aqui e ali... Por vezes achei enfadonho porque o assunto "paixão" não é bem o meu forte, visto que sou arromântica, mas aos poucos a coisa foi ganhando forma e fui obrigada a concordar, mesmo que parcialmente.
Me perturba o amor romântico. Não o compreendo. É estranho e desconfortável para mim por parecer sempre tão coberto de falseações, idealizações de um imaginário apaixonado. Eu gosto de amor amor, amor concreto. Amor que se explica em ações. Será que é assim tão difícil amar a pessoa em si, crua? Ou todo amor romântico se resume a amar a idealização que se faz da pessoa?
"A paixão é uma experiência estética. Está ligada à contemplação da beleza. A pessoa pela qual se está apaixonado é bela. Não é que ela seja bela – é o olhar apaixonado que a torna assim. Porque não vemos o que vemos, vemos o que somos. Uma mulher é bela quando nos vemos belos ao seu olhar"
Então não se ama o outro. Se ama a si mesmo enquanto se está com o outro. Esse tipo de "amor" é, portanto o alimento do ego do apaixonado.
"Amamos a bela cena antes de amar a pessoa. Amamos a pessoa porque ela completa a bela cena. (...) Somos então possuídos pela certeza de que esse rosto que os olhos veem é o mesmo que está no quadro que mora nas sombras da alma. (...)
nós amamos as pessoas
por aquilo de belo que elas fazem
nascer em nós.
Como se fossem espelhos.
Se nos vemos belos
naqueles olhos que nos contemplam,
nós as amamos."
Será? Faz sentido. Foi essa a minha reação durante boa parte so livro. E em outros momentos achei arrastado e repetitivo, talvez glicose demais.