Algo normal não poderia sair dessa autora e nem era isso que eu esperava, mas escrever esquisitice por escrever é absurdamente chato. As obras anteriores dela, Grotescas e Out, são bacanas justamente por irem além da esquisitice, abordando pontos interessantes sobre a cultura japonesa e várias críticas acerca dela, principalmente no que diz respeito ao papel da mulher nessa sociedade. Sendo assim, é meio óbvio que era isso que eu estava esperando deste livro, e apesar de não ter achado a pior leitura do mundo, as expectativas atrapalharam bastante e acabei achando uma leitura bem morninha.
Num certo dia, Toshi, uma adolescente que está se arrumando para ir ao cursinho, escuta um barulho de algo quebrando na casa do vizinho. Ela acha estranho e chega a comentar com as amigas pelo celular, mas resolve deixar pra lá. Quando sai de casa, esbarra com o garoto que mora lá, a quem ela apelidou de Worm, por ser esquisitão. Esse menino, sempre retraído até então, naquele dia em particular encontra-se a felicidade em pessoa e aí você entende que algo realmente aconteceu dentro daquela casa naquela manhã: a mãe dele foi assassinada. Adivinha quem é o principal suspeito?
Os motivos serão revelados aos poucos e achei tão idiota, mas pensei "ah ok, vai ver é um desses livros que o crime em si não é o foco, mas sim os personagens", mas quanto mais eu lia, mais idiota eu achava tudo.
Como eu disse, o foco não é o crime, e a narrativa é dividida entre o garoto e um grupo de quatro amigas, sendo Toshi uma delas. Cada uma tem alguma angústia tipicamente adolescente para tratar: autodescoberta sexual; solidão; alienação; aparência; medo do futuro e tédio. E um adolescente entediado é merda na certa, porque essa ânsia de fugir do mundo real delas e adentrar num mundo mais emocionante e interessante fará com que elas de alguma forma se envolvam com o garoto.
Os motivos desse envolvimento são tão banais, tão juvenis. Pra piorar o enredo é fraco e implausível.
Comecei a leitura achando que era mais um livro adulto de uma autora que adoro, mas acabei com um YA médio em mãos.