Como muita coisa na vida, esse livro parece oscilar entre voos do Condor e mergulhos do Martin Pescador...
É filho da velha síndrome ou doença que acomete quem escreve um livro de (relativo) sucesso: fazer uma continuação, ou várias. E tome encheção de linguiça! Aargh!!
Como vocês estavam precisando de estórias sobre crianças Índigos... haja embromation!
Oscila ao afirmar (com o nariz bem empinado) que quem diz que crianças devem obedecer pensa de modo ignorante e atrasado, mas no próximo parágrafo já concede que disciplina é algo necessário. Será que tem a maravilhosa e detestável cultura woke embarcada? Pelo menos um bocado eu acho que tem! E por ser o segundo livro, pode ser que faltem definições, sobrem auto elogios. Se é que captei, o termo índigo teria relação com a cor da aura, mas a definição ao longo do texto é bem elástica e põe elástica nisso.
Qual criança não é especial, especialíssima (segundo os pais, avós)?
Passa pelo problema de adolescentes que matam adolescentes, Ritalina, propõe ajudar o filho a crescer sem traumas (e só precisa combinar com a vida, para ela nem triscar do dito cujo nos próximos oitenta aninhos de existência).
E tem o viés de confirmação. Experiências com análises da aplicabilidade de adjetivos (principalmente os mais bacaninhas) a si mesmo revelam que, por exemplo, se o guru, o horóscopo ou a entidade esotérica te jogarem uma qualidade, certamente vais encontrar sólidos argumentos para se achar Lutador, Amoroso, Resiliente, Humilde, Pragmático, Visionário, Saudável, Diferente, Explosivo, Proud, Respeitoso, Maduro, Adaptável, Emotivo, Confiável e também Índigo. Facilmente acham em si mesmos bons argumentos para demonstrar possuir qualidades que os colocam em grupos seletos...
Pra não ficar só jogando pedras, tem um método de conversar com the inner child que pode salvar o livro todo...