Um deus dentro dele, um diabo dentro de mim -

    Nilda Rezende

    Record
    2003
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-10: 8501063827
    Português Brasileiro

    Uma mulher confusa e apaixonada se vê atormentada ao descobrir que é traída pelo marido, que até então considerava um deus. A partir daí, resolve mudar sua vida, se expor sem medo da opinião das pessoas e assumir ser protagonista de sua própria história.

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    Nicole F. Weiss30/11/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Essa é uma obra diferente de todas que já tive o prazer de ler. O título de Nilza Rezende não tem nada de convencional. Há poucos parágrafos, poucos pontos e muitas vírgulas. Não tem travessões, nem aspas, nem hífens. E nem precisaria de tais artifícios, sua escrita é poética e firme, dotada de palavras fortes, amansadas com lindas frases filosóficas e, algumas, até românticas. É a busca do “eu interior”, a retomada do controle sobre si mesma. Uma discrepância de “ser ou não ser”, foi ou não foi, louca ou sã, não sabemos... Não durante a leitura, que, afirmo, é contagiante, empolgante, real. Ao fim do relato, encontramos a resposta que jamais imaginaríamos. Ou, talvez, até passássemos a torcer para que aquilo acontecesse, porém, vem de maneira inesperada. Lila, a protagonista, é o tipo de personagem que consegue despertar as mais variadas emoções no leitor. Você a ama, odeia, quer matá-la, aconselhá-la, consolá-la e tornar a xingar, a bater, a odiar e a amar. Por sua vez, Raul, o marido, é o homem irritantemente perfeito, daqueles que nos levam à loucura apenas pelas descrições da narração. Sim, apaixonante, intrigante, irritantemente sexy e perfeito. Quanto à escrita, como eu havia dito, é um estilo diferente e poético, entretanto, não posso deixar de apontar alguns desagrados que encontrei. Um deles foram os substantivos próprios. Creio que cada personagem, e falo como escritora nesse momento, tenha sua própria vida na imaginação de um autor. Gosto de vê-los saltando da página, sobressaindo-se em uma frase, uma oração, um parágrafo. Sendo assim, odiei o fato de vê-los em letras minúsculas: raul, lila, alice, maria... Sim, odeio como personalidades fortes e intensas foram misturadas em palavras simples. Enfim, essa é apenas a opinião de uma simples leitora... e escritora. Outro ponto que não posso deixar de abordar: palavrões. Concordo que, em certas cenas, em determinados casos, tais expressões sejam de suma importância para a veracidade da estória. Entretanto, vê-las em repetitivas frases, diversas vezes, mesmo que para enfatizar sentimentos irados, não ficou de bom tom. Um ou outro é aceitável, concordo. Muitos, jamais! Fora isso, digo que estou completamente deslumbrada. E não é para menos... eis que o livro começa de tal forma: “E antes que me perguntem, vou logo avisando: tudo isso aconteceu comigo e nada disso aconteceu comigo”. Acreditem, leitura mais que recomendada, para gostos refinados e mentes aguçadas, que conseguem encontrar a fórmula mágica da lição contida nas entrelinhas. Lido, resenhado, aprovado e indicado.

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