Em setembro de 1955, no prefácio de seu livro A Longa Marcha, Simone de Beauvoir escreve sobre a China. Este relato acontece um ano antes da Campanha das Cem Flores, quando o Partido Comunista Chinês permitiu a liberdade de expressão, deixando “as Cem Flores desabrocharem e as Cem Escolas rivalizarem” e muitas décadas antes da China tornar-se aberta à economia de mercado, apesar de ser ainda, politicamente, um país comunista. Quando lemos o que escreve, parece que ouvimos o que Simone de Beauvoir nos conta. " Quando se viaja de avião, os aparecimentos são repentinos. As brumas se dissipam subitamente, a terra torna-se colorida: abaixo de mim está a China; estende-sa a perder de vista, plana, recortada em tiras malvas, verde-escuro, marrom claro; de longe em longe solitária como uma ilha, ergue-se uma aldeia de adôbe, cujas casas formam um bloco único, retangular furado por pequenos pátios. O solo colorido contrasta-se com as vastas superfícies monocrômicas dos Kolkhozes siberianos; esses campos visivelmente não são coletivizados, pois cada faixa é uma propriedade privada. Não compreendo no momento, por que a paisagem me parece tão desolada: é que aí não cresce árvore alguma; nas aldeias, nenhuma sombra; esta planície fértil parece, vista do alto, nua como um deserto." Coleção: Biblioteca Temas Modernos Nº 6
A Longa Marcha -
Simone de Beauvoir
IBRASA
1963
410 páginas
13h 40m
ISBN-10: 8501077577
Português Brasileiro
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