A Lentidão -

    Milan Kundera

    Círculo do Livro Ltda.
    1995
    135 páginas
    4h 30m
    ISBN-10: 8533209592
    Português Brasileiro

    Integrando diversos personagens em planos múltiplos — o próprio autor e sua mulher, um entomólogo tcheco, os personagens de uma novela libertina do século XVIII, o “dançarino” —, Kundera propõe uma discussão a um tempo profunda e prazerosa sobre a dificuldade de apreensão do real ante a velocidade da vida moderna, a memória e o esquecimento, o clima frenético de hoje e uma época em se podia retardar o movimento em favor da fruição.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (30)Ver mais
    Leticia Hegele picture
    Leticia Hegele08/02/2026Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    A velocidade como esquecimento

    Enganam-se aqueles que pensam que esta é apenas uma obra secundária de Kundera. Essa narrativa tem tanto potencial quanto o de seu romance mais famoso, A Insustentável Leveza do Ser. Primeiramente, faço um adendo importante: há um punhado de spoilers sobre a narrativa de As Relações Perigosas, de Laclos. Se você é um leitor que tem repulsa a conhecer partes da história de uma obra que ainda não consumiu, e planeja lê-la, convém ter cautela. A narrativa traça um paralelo entre a obra de Laclos e as aventuras de Vincent, ambas ambientadas no mesmo castelo. O jogo temporal é típico do autor: mudanças surgem sem aviso prévio, o que pode causar certo estranhamento no início. E aqui retorna aquilo que mais me encantou em A Insustentável Leveza do Ser: a extraordinária habilidade de mesclar filosofia e narrativa. Nesta obra, Kundera contrapõe velocidade e tempo, lentidão e rapidez. Quando se quer esquecer algo rapidamente, anda-se mais depressa; quando não se quer que o tempo passe, quando se deseja lembrar, caminha-se com lentidão rumo ao futuro. O ponto alto está na aplicação desse raciocínio à sociedade como um todo: vivemos cada vez mais rápido porque queremos esquecer, esquecer de nós mesmos. A obra suscita reflexões instigantes e, de fato, a força com que pisamos no pedal do amanhã diz muito sobre quem somos. No fim, essa rapidez com a qual lidamos diariamente torna-se um eficaz mecanismo de manipulação, ou será que você consegue dizer, com detalhes, o que determinada figura influente fez ou deixou de fazer nos últimos tempos? Enfim, é uma ótima obra e acentuou ainda mais meu desejo de desbravar o universo de Kundera.

    64 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 495
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%