Todos os Nomes -

    José Saramago

    Caminho
    2011
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9789722111379
    Português Brasileiro

    O protagonista é um homem de meia idade, funcionário inferior do Arquivo do Registo Civil. Este funcionário cultiva a pequena mania de coleccionar notícias de jornais e revistas sobre gente célebre. Um dia reconhece a falta, nas suas colecções, de informações exactas sobre o nascimento (data, naturalidade, nome dos pais, etc.) dessas pessoas. Dedica-se portanto a copiar os respectivos dados das fichas que se encontram no arquivo. Casualmente, a ficha de uma pessoa comum (uma mulher) mistura-se com outras que estás copiando. O súbito contraste entre o que é conhecido e o que é desconhecido faz surgir nele a necessidade de conhecer a vida dessa mulher. Começa assim uma busca, a procura do outro.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo29/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A literatura dos pormenores

    A obra de José Saramago é impressionante. Esse português via na ficção uma maneira muito particular de poder comunicar-se com o mundo. A visão dele deve ser preservada e, mais importante do que isso, deve ser transmitida. Agora... preciso colocar em perspectiva a seguinte questão: o que um homem que pensou em histórias envolvendo Jesus Cristo, as agruras da Península Ibérica, uma epidemia de cegueira branca e a greve da morte poderia oferecer de novidade aos seus leitores? A resposta pode estar neste livro e ela envolve um valor caro ao autor: a simplicidade humana. É a partir desse ponto que Saramago oferece nada mais que seu habitual brilhantismo. Em "Todos os nomes" conhecemos, para ser sincero, nenhum nome, exceto o do senhor José, um simples funcionário público daquilo que seria equivalente a um cartório nacional de Portugal. E é uma personagem fascinante. Em uma história que envolve a obsessão, a atrasada burocracia dos Estados, o amor em suas sutis nuances e, como não poderia faltar, suas dúvidas a respeito da relação entre vida e morte, Saramago convida os leitores a entrar nos seus labirintos mais íntimos. Este foi apenas o segundo romance que encarei do autor, o anterior havia sido "Claraboia". Foi uma experiência muito interessante, pois aqui percebi o domínio técnico da palavra que ele tinha e como a sua ideia de um leitor participante através da pontuação é poderosa. Quero terminar dizendo duas coisas: leiam Saramago (e tentem driblar as adversidades, vale a pena) e agradeçam por ter alguém como ele em nossa língua, pois é algo a se celebrar sempre que possível.

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