Li esse livrinho de uma sentada, numa tarde só – coisa assim de uma hora, se muito. O nome do Chris Priestley foi o que primeiro me chamou a atenção para ele – porque fiquei encantada com a forma de contar histórias desse homem – de forma que para fechar o meu maio de crimes, decidi tirá-lo da estante.
Inicialmente eu bati o olho no nome do protagonista e quase entrei em parafuso. Marlowe, Marlowe, Marlowe, vai ser o rival de Shakespeare! Mas aí a data não coincidia (a história acontece em 1715), nem o primeiro nome do personagem (que é Tom, não Christopher).
Ok, tudo bem, nada de rivalidades dramatúrgicas. Mas tem mortes misteriosas e cartas marcadas com uma imagem da morte segurando um arco e flecha, tudo isso numa Londres tão vívida com seus becos sem saída, seu cais, suas prisões sua neblina, que você realmente entra no clima da história.
Tom Marlowe tem quinze anos e trabalha com o pai na pequena gráfica da família. Por conta de seu trabalho, Tom se torna amigo do Dr. Harker – um típico mentor, que já viajou por todo o mundo e sabe muitas histórias. Quando mortes misteriosas começam a acontecer na cidade – homens assassinados com uma flecha em lugares onde não haveria como serem atacados sem reagirem e sempre encontrados com uma carta que os avisa que são homens marcados – os dois se interessam pelo assunto.
Aliás, esse interesse não é nem de longe estranho, considerando que execuções públicas estavam no cardápio do dia de diversões para o povo.
O interesse de Tom teria ficado apenas na curiosidade se, porém, uma das vítimas não fosse seu melhor amigo, o jovem Will. Aí a coisa vira pessoal, e o garoto acaba se envolvendo numa história que mistura ganância, traição e vingança e que tem suas raízes nas colônias americanas.
O livro é infanto-juvenil, mas, ainda que seu final seja extremamente ingênuo, ele trabalha com algumas questões muito sérias. Você deixa nas entrelinhas a problemática de genocídio ameríndio, e do confronto entre justiça e vingança – e a situação em que os personagens se encontram na história por conta de suas escolhas não é fácil e o fim é um tanto moralmente ambíguo.
Ele ganharia muito se tivesse sido mais desenvolvido, mais amadurecido – mas leve-se em conta que o público alvo dele não são adultos. Ainda assim, é uma leitura leve, interessante, rápida. É uma boa para quem está querendo treinar o inglês e gosta de histórias de mistério.
(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)