Os Lusíadas - Anotado para uso das escolas

    Luís de Camões

    Apostolado da Imprensa
    1929
    412 páginas
    13h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Publicada em 1572, "Os Lusíadas" é a epopeia do povo português. A obra é composta de 10 cantos, repartidos em 1.102 estrofes em oitava-rima (oito versos por estrofe e rima em ABABABCC) e decassílabos heróicos. A epopeia camoniana é dividida em três partes: Introdução (proposição, invocação e dedicatória); Narração e Epílogo, tendo como assunto a viagem de Vasco da Gama às Índias. A narração tem início quando as caravelas de Vasco da Gama já estão navegando pelo Oceano Índico, portanto, em plena viagem. Os navegantes são supervisionados pelos deuses do Olimpo, que decidem o destino dos navegantes após a realização de um concílio. Os portugueses encontram em Vênus uma preciosa aliada e em Baco o mais ferrenho inimigo. Na costa oriental da África, os portugueses aportam em Moçambique e depois em Melinde, cujo rei pede a Vasco da Gama que conte a história do país, motivo dos cantos três e quatro. Dois episódios serão destacados dentro da história de Portugal. O primeiro é protagonizado por Inês de Castro, jovem que acompanha D. Constança de Castela, princesa prometida a D. Pedro, filho de Afonso 4º de Portugal. Jovem de rara beleza, Inês atrai a atenção do príncipe herdeiro, que, após a morte da esposa, casa-se secretamente com ela. Afonso 4º, ouvindo conselhos daqueles que viam nela mais uma aventureira a serviço da Espanha, manda matá-la. O inconformado D. Pedro, ao assumir o trono português, fez de sua amada a rainha de seu povo, desenterrando-a e coroando-a. Camões obtém um efeito extraordinário ao inserir na epopeia este episódio essencialmente lírico. No canto seguinte (IV), Gama prossegue, narrando a história de Portugal desde a dinastia de Avis (D. João I) até a partida da armada para a Índia. Nas últimas estâncias do canto está inserido o episódio de "O Velho do Restelo". Portugal vive uma fase de euforia quando do início das grandes navegações. Em meio à preparação da partida das naus rumo às grandes conquistas surge O Velho do Restelo, representando a oposição entre passado e presente, antigo e novo. O Velho chama de vaidosos aqueles que, por cobiça ou ânsia de glória, por audácia ou coragem, se lançam às aventuras ultramarinas. O Velho do Restelo simboliza a preocupação daqueles que anteveem um futuro sombrio para a Pátria.

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    Clio picture
    Clio21/01/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "As armas e os barões assinalados,(...)" e a minha mente se enche dos canhões de Tchaikovsky e eu tenho novamente quatorze anos, ouvindo minha professora de literatura (que todos chamavamos de Fofa) entrar na sala declamando esses versos que ressoam na alma. Eu ouvia essa mulher recitar de memória sobre os perigos trazidos por Adamastor e as montanhas do Cabo das Tormentas tomavam a forma do gigante apaixonado. Percorria com dedos úmidos de suor sob o telhado de zinco da minha classe, os versos de tristeza horrorizada do destino de Inês de Castro, aquela que foi rainha depois de morta. Mais de vinte anos já se passaram e eu não me lembro mais do seu nome, D. Fofa, porém o amor por essa maravilha literária permanece. Outros poetas que me perdoem, mas Camões é fundamental.

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