Um livro um tanto curto em que uma quantidade grande de temas são abordados. Hoppe disseca as categorias da ação humana e as usa na justificação epistemológica do racionalismo e apriorismo na economia, demonstrando até mesmo como as categorias da ação podem levar a superação do idealismo pressuposto na filosofia Kantiana por suas categorias da mente.
Ainda no segundo capítulo, críticas fortíssimas são feitas ao empirismo-positivista e seu uso nas ciências econômicas e na teoria da história - demonstrando suas insustentabilidade epistemológicas, suas inerentes contradições, e todo tipo de relativismo é destruído até o final do livro.
Entretanto, nem tudo são rosas e portanto possuo algumas reclamações. Como o raciocínio no mínimo duvidoso ao meu ver em considerar os axiomas da ação humana como juízos sintéticos a priori invés de analíticos, a tentativa de unir pragmática-transcendental a praxeologia e isso resultar em raciocínios problemáticos e facilmente refutáveis como a afirmação de que qualquer tentativa de negar o axioma da ação humana resultaria em uma contradição, o que definitivamente não é o caso, visto que tudo que é preciso para questionar esse axioma sem cair em contradição é afirmar que existe algum humano que não age sem afirmar que as regras não se aplicam a você (porque obviamente se disser que nenhum humano age - com você incluso - vai estar agindo pra contra-argumentar e aí sim vai cair em contradição). Até admiro a tentativa de mostrar relações entre a ação humana e o "A priori da argumentação", mas isso devia ser feito no mínimo de maneira mais cuidadosa a ponto de evitar problemas como esse. E o último problema que tenho a reclamar é da repetitividade que torna o livro cansativo. Em alguns momentos Hoppe repete argumentos inteiros já ditos antes sem fazer muitas adições e você acaba lendo em grande parte uma uma mera repetição do que já viu em capítulos anteriores.
No mais, esse é um livro bastante denso, lotado de bons argumentos e ótimas reflexões e que merece ser lido novamente de tempos em tempos.
Eu certamente não posso dizer que entendi e absorvi o livro em sua totalidade mas aprendi bastante com ele, não é nada mal.
Obs: iniciantes em Hoppe não se enganem com o número pequeno de páginas e passem longe desse livro, vocês não vão entender muito desse livro sem um certo nível prévio de bagagem filosófica.