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    Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Morta -

    Alberto Villas

    Globo
    2012
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788525051349
    Português Brasileiro
    3.3
    25 avaliações
    Leram39Lendo7Querem70Relendo0Abandonos2Resenhas1
    Favoritos1Desejados70Avaliaram25

    Alberto Villas reúne em "Pequeno dicionário brasileiro da língua morta" palavras hilárias e curiosas que caíram em desuso. Se você acha que café com leite é só a bebida mais comum do mundo no café da manhã, ou que babado serve apenas para enfeitar a saia, é porque ainda não leu o "Pequeno dicionário brasileiro da língua morta", o novo livro do jornalista Alberto Villas que a Globo Livros está lançando. Nele, é possível descobrir que café com leite tinha três significados: uma pessoa meio boba, que não fazia parte de nenhuma rodinha de amigos; o sujeito fácil, assim como o arroz de festa; uma referência à política dos Estados de Minas e São Paulo – Minas entrava com o leite, São Paulo, com o café, e os dois estados dividiam o poder político nacional. Babado seria o equivalente da expressão que se fala hoje “qual é a boa?” Babado tanto podia designar fofoca como novidade. “O babado corria de boca em boca, cada um dando sua opinião, se espantando ou criticando. Não tinha babado que passasse em branco”, diz Villas no livro. E por que o jornalista garimpou tantas palavras que caíram em desuso? Para mostrar como a língua portuguesa tem um rico vocabulário e sofre mutações ininterruptamente? Talvez. Essa é uma possibilidade. Mas, para Max Gehringer, que assina uma das orelhas do livro, “o que o Villas fez foi garimpar palavras por puro deleite, como quem encontra um empoeirado disco de vinil da Jovem Guarda (‘Meu Broto’, com Teddy Milton) e aí embarca numa nostálgica viagem no tempo”. Durante essa viagem, Villas foi escarafunchando seu baú de memórias e desencavou palavras divertidas, como xumbrega. “Diz a lenda que essa palavra tem origem lá por volta de 1600, quando o aventureiro alemão Friedrich Hermann Schönberg, que comandava as tropas de Portugal contra a Espanha, se deu mal. Schönberg acabou virando xumbrega. E xumbrega quer dizer uma coisa ruim, feia, mal-acabada.” O abecedário formulado por Villas traz algumas milongas (mexericos), mas nada que faça corar sirigaitas (mulheres ousadas, atrevidas) ou mancebos (rapaz novo, que hoje seria o correspondente a “gato”). Pode ser que fãs do cantor Fagner fiquem chateados ao saber que o autor do livro acha a voz dele igual à de taquara rachada: “É só ouvir o primeiro disco dele – ‘Manera Fru Fru Manera’ – ou o segundo, ‘Ave Noturna’. Não que o autor de ‘Mucuripe’ tenha uma voz irritante, mas é muito particular, de taquara rachada”. Mas, para livrar um pouco a barra dele, Villas complementa: “A Desciclopédia tem uma lista enorme de pessoas com voz de taquara rachada. De Tiririca a Xuxa, passando por Sandy Leah, a Sandy do Júnior”. Exemplos de palavras hilárias pululam no livro. Como manota, aquele fora que, por mais que se queira, não há como remediar: você chega para uma mulher, olha a barriguinha dela e pergunta: “É pra quando?”. E ouve a resposta: “Não estou grávida!”. Que mancada! Ou que quiproquó! Se você tem vontade de engrossar seu vocabulário, e quer fazer bonito com os seus amigos, pode adotar daqui para frente fuzarca, víspora, palangana. Esse é o melhor jeito de lavar a égua.

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    Bruno Oliveira picture
    Bruno Oliveira17/09/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    UMA LÍNGUA NEM TÃO MORTA ASSIM

    Repleto de saudosismo e boa-vontade, este Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Morta é uma viagem moral e semântica a um universo não tão, tão distante assim. É delicioso e curioso ver como certas palavras, outrora tão comuns, foram se perdendo ao longo das gerações. Villas se vale de diversos causos familiares, futebolísticos e da MPB para exemplificar cada verbete lá posto. E isso demais! Pois carrega o leitor a esses tempos de nossos pais e avós. Seu estilo é direto, sem rodeios, fruto, óbvio, de sua formação jornalistica. Livro indicado a todos aí que apreciam o real significado das coisas. Ah! Não se espante se tu encontrares por lá um vocábulo que tu ainda utilizes. É normal. :)

    1 curtida

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    • 5 estrelas20%
    • 4 estrelas16%
    • 3 estrelas44%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas4%
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    Alberto Villas

    O jornalista Alberto Villas nasceu em Belo Horizonte em 1950. Decidiu-se pela carreira ao vencer em 1970 o Concurso de Contos do Estado do Paraná. Formado em Paris, onde viveu por seis anos, colaborou com quase todos os jornais alternativos da época. Em 1980 voltou para o Brasil, onde trabalhou em O Estado de S. Paulo, Rede Bandeirantes, SBT, TV Manchete e Rede Globo, onde hoje é editor do Fantástico. É autor dos livros O Mundo Acabou (2006); Afinal, o Que Viemos Fazer em Paris? (2007); Admirável Mundo Velho (2009), Onde Foi Parar Nosso Tempo (2010) e Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Morta (2012).

    6 Livros
    3 Seguidores
    MG, Brasil

    Alberto Villas