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    Muitas coisas que perguntei e algumas que disse -

    Rosa Montero

    Cubzac
    2007
    269 páginas
    8h 58m
    ISBN-13: 9788561293000
    Português Brasileiro
    4
    8 avaliações
    Leram9Lendo1Querem16Relendo0Abandonos1Resenhas1
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    Trata-se de uma coletânea de textos jornalísticos, todos publicados no jornal madrilenho El País, e é justamente a partir do reconhecimento da excelência do jornalismo como gênero literário que Rosa Montero construiu uma obra, se paralela aos romances pelos quais ela é conhecida no Brasil, tão prazerosa e iluminada quanto suas melhores páginas de ficção. A publicação reúne uma coletânea de entrevistas, emolduradas com os comentários da autora que, não se limita ao jogo de perguntas e respostas, mas cria apartes que são verdadeiros retratos do entrevistado. A partir dessa premissa se constrói, por exemplo, seu encontro com o aiatolá Khomeini em seus últimos dias de exílio na França, pouco antes de assumir o poder no Irã, em que a autora consegue captar o clima de apreensão do povo iraniano, na esperança de um governo democrático. Outra entrevista que marcou a autora, foi a de Paul McCartiney. “Foi ótimo entrevistá-lo, porque eu era apaixonada pelos Beatles quando tinha 12 anos. Eu o encontrei já mais velho, mas, mesmo assim, muito vivo por dentro, uma pessoa natural e encantadora”. Suas entrevistas divertem pela contundência das perguntas e certo espanto dos entrevistados. “As melhores entrevistas, do ponto de vista jornalístico, são aquelas em que há um pouco de enfrentamento, um certo confronto”, revela. Dentre as pessoas que entrevistou estão Margaret Tatcher, Montserrat Caballé, o cientista James Lovelock, Harison Ford, ou o artista que, no livro pode-se saber mais, antes era chamado de Prince. Muitas coisas que perguntei e algumas que disse traz ainda reportagens e artigos sobre os avanços da tecnologia, o atraso do ser humano, a maldade de uma juventude perdida ou a futilidade posta na atualidade, deflagrando assim, a vida sob o olhar doce, astuto, humanista e bem-humorado de Rosa Montero. “Em meus artigos, tanto quando falo da atualidade, como de fatos históricos, estou tentando me aproximar do mistério de ser humano. Estou procurando entender um pouco mais esta vida”, conclui.

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    Priscila Donini picture
    Priscila Donini21/04/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “(…) Estes disparates de carnificina acontecem com muita freqüência; os humanos se degolam, e subjugam, e torturam uns aos outros impelidos por projetos megalômanos que, em seguida, se tornam impossíveis, ou por idéias fanáticas que acabam sendo irrelevantes. Tenho para mim que grande parte do sofrimento do mundo é originada pela estupidez das pessoas. Pela falta de flexibilidade intelectual, pela intolerância e pelo dogmatismo. E só ver o exemplo dos integrantes do ETA para calibrar os estragos que produz uma mentalidade petrificada. E quão poderosa é a tentação da estupidez. Como é atraente a preguiça mental, o deixar que os outros pensem. O fato de aderir a um grupo ideológico, ou ao critério convencional e dominante, e não voltar a aplicar meio minuto de reflexão sobre as coisas.” (p. 219) “Mas nós, humanos, não somos deuses, e sim pessoas diminutas e frágeis que podem se quebrat, se equivocar, se trair. O caso de Morel é especialmente fascinante porque põe em questão um dos grandes álibis morais dos humanos: o direito que, supostamente, outorga o sofrimento. Frequentemente, as pessoas que sofrem consideram que essa dor justifica os seus atos, isto é, qualquer tipo de ato; que o dano as coloca para lá da responsabilidade ética. Mas eu acho que não há nada que autorize a perversão moral. O sofrimento explica o comportamento das pessoas, mas não o justifica. O ser humano não controla o que lhe ocorre na vida: somos marionetes do acaso, papéis amassados que o vento faz rodar. Mas o que, sim, controlamos é a maneira como respondemos àquilo que nos acontece. Às vezes, as circunstâncias que a vida lhe obriga a viver são tão extremas que o leque da nossa escolha é muito pequeno, mínimo. Mas, por menor que seja, sempre há uma possibilidade de escolha; e, nessa diminuta liberdade, nessa opção, julgamos a nossa dignidade e a nossa humanidade. Essa escolha é o que nos faz ser pessoas.” (p. 229)

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    Rosa Montero profile picture

    Rosa Montero

    Nascida em Madri, em 1951, Rosa Montero se apaixonou pelas letras logo na infância, mergulhando nos livros entre os 5 e os 9 anos por conta de uma tuberculose que a confinou em casa. Jornalista, colaborou com várias publicações até se tornar uma grife do principal jornal espanhol, El País. Começou em 1977 a realizar, para o suplemento dominical do jornal, entrevistas marcantes que lhe valeram diversos prêmios e a transformaram num nome nacional. Em 1980 tornou-se redatora-chefe de “El País Semanal”. Um ano antes, estreara na literatura com o romance Crónica del Desamor. O sucesso de ficções posteriores como La Función Delta (1981), Te Trataré Como a una Reina (1983) e Amado Amo (1988) fez dela uma escritora muito popular na Espanha, além de admirada pela crítica. Nos anos 1990, publicou livros infantis em torno da personagem Bárbara. Seu La Hija del Caníbal, de 1997, foi adaptado recentemente para o cinema. O último romance, La Loca de la Casa (2003), será seu primeiro lançado no Brasil – em 2004, pela Ediouro. O livro acaba de ser eleito o melhor de 2003 por leitores de um grupo de influentes revistas espanholas. Principais obras: La Loca de la Casa (Alfaguara) El Corazón del Tártaro (Espasa) La Hija del Caníbal (Espasa) Bárbara contra el Doctor Colmillos (Alfaguara) El Viaje Fantástico de Bárbara (Alfaguara) Las Barbaridades de Bárbara (Alfaguara) Bella y Oscura (Seix Barral) Temblor (Seix Barral) Amado Amo (Debate) Te Trataré Como a una Reina (Seix Barral) La Función Delta (Debate) Crónica del Desamor (Debate) 10/02/2004 Copyright

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    Rosa Montero