James Brown - Sua Vida, Sua Música

    Rj Smith

    Leya
    2012
    632 páginas
    21h 4m
    ISBN-13: 9788580444568
    Português Brasileiro

    Este gênio musical, que simplesmente criou o funk e dominou o rhythm and blues e o pop, nasceu em condições de extrema pobreza na Carolina do Sul e passou a primeira infância na zona rural da Geórgia, no meio de violentas tensões raciais. Criado num bordel de propriedade de sua tia, foi parar numa instituição para menores de idade infratores aos dezesseis anos. Ao sair de lá, conheceu seus primeiros colegas de banda, membros de um grupo que iriam mais tarde formar os Famous Flames. A música revolucionária de Brown, definida por um conceito que ele chamava de "O UM", desenvolveu-se a partir do ambiente sulista de sua juventude, das batidas de tambor das velhas canções de escravos e do som e espírito do gospel. Do chitlin´ circuit até o Teatro Apollo de Nova York, Brown emplacou quarenta e quatro sucessos entre os Top40 da Billboard, fazia mais de 350 apresentações por ano no seu auge e foi um showman como nenhum outro.

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    Luis Eduardo Souza Costa picture
    Luis Eduardo Souza Costa27/07/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A vida louca vida do Mr. Dynamite

    Talvez, para aqueles nascidos a partir dos anos 70, James Brown esteja associado a escândalos, prisões e a um tema obrigatório dos sets de fim de festa, “I Got You (I Feel Good)”, tocado infalivelmente imediatamente antes ou após os sambas enredo que fecham as cortinas. Basta um pouco mais de pesquisa para desfazer esse triste reducionismo, pois James Brown foi ( e é) um dos músicos mais influentes da história. Para começar, basta saber que o homem é o pai do funk. Não desse funk que você está pensando, regado a baixarias gritadas em meio a tamborzões ensurdecedores, mas do funk verdadeiro, com baixo pulsante e cheio de groove e atitude. Muita gente faria a glória desse gênero (“Earth, Wind and Fire”, “ Kc and the Sunshine Band”, George Clinton, “Sly and family Stone”, etc), mas nenhum seria considerado tão importante quanto Brown. Em “James Brown- Sua Vida Sua Música”, R J Smith conta a longa trajetória do músico em mais de 600 páginas. Trajetória essa, desse cedo marcada por dificuldades. Nascido em 1933 na Carolina do Sul, o cantor teve uma infância muito pobre e flertou com a delinquência. Em 1949, após uma série de pequenos furtos, foi preso pela primeira vez, saindo cerca de 2 anos depois. Após uma breve tentativa de carreira no boxe, JB resolve se dedicar à música, atividade em que já vinha se destacando mesmo na prisão, fazendo pequenos shows para os colegas. Pouco depois , se junta aos Famous Flames que o acompanhariam em sua primeira incursão no mundo do disco, o sucesso “Please Please Please”, lançado em 1956. A partir daí, Brown seguiria como uma referência da música negra, não só por suas gravações, mas sobretudo pelas apresentações ao vivo, onde sua postura de palco seria adotada por cantores como Mick Jagger e mais tarde, Michael Jackson. Apesar de toda a sua importância, Brown raramente conseguiria ultrapassar as barreiras do chamado campo do R&B, parte por seu temperamento difícil que levava o seu trabalho a ser encarado como “selvagem” em comparação, por exemplo, aos seus colegas negros da Motown, que de certa forma suavizavam o R&B de forma que fosse melhor aceito pelo grande público. A postura política, muitas vezes polêmica, do ídolo, também o prejudicou nesse sentido. Apesar de jornalista, R J Smith muita vezes deixa de puramente contar a história, contextualizando o leitor de forma adequada, para fazer longas e cansativas análises acerca de vários aspectos da obra de Brown, o que frustra um pouco as expectativas de quem esperava uma obra definitiva sobre The Godfather of Soul. Em muitos momentos falta precisão na apresentação dos fatos e certo encadeamento cronológico, item, a meu ver, essencial a uma boa biografia. Há também descuidos de revisão que incomodam leitores mais atentos, como na introdução, ao se fazer uma digressão do som de JB com a chegada dos sons africanos na américa colonial. Nessa parte há a citação à Revolução de Stono, em que os escravos da Carolina do Sul se rebelaram, relatada como a “maior revolta de escravos nas colônias” ocorrida em setembro de 1793. Ora, se as colônias proclamaram a sua independência em 1776 formando os EUA, a data está no mínimo equivocada. Na verdade, houve uma inversão de algarismos, o certo seria 1739. Esse erro está na segunda frase do livro. Em diversos momentos, a tradução também gera dúvidas, já que são utilizadas palavras de uso pouco comum em português, como pelagra (avitaminose) (pág 30), além de construções frasais que resvalam na falta de sentido. De qualquer forma, a obra é útil para conhecer um pouco mais a cena da música negra americana na segunda metade do século XX, e por tabela, começar a descontruir a imagem clichê que as gerações mais novas têm de um dos pilares de quase tudo que é produzido no mundo pop contemporâneo.

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