Superinteressante Nº 171 (Dezembro de 2001) - Bandido bom é bandido morto?

    Revista com diversas matérias

    Abril
    2001
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    "acuada pela violência, a sociedade brasileira começa a simpatizar com a pena de morte. Mas será que o Estado tem o direito de matar?" Outras matérias de capa: Elfos, duendes e dragões; O Nobel que ninguém vê; O cérebro desvendado.

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    Dezembro de 2001

    São comuns reportagens sobre espiritualidade e expectativas positivas nas capas de fim de ano, vendo-se nessa edição uma das exceções, com temática polêmica que estava em evidência no contexto pós 11 de Setembro. "Bandido bom é bandido morto?", expressão geralmente de uso afirmativo no meio popular, transformou-se em questionamento sobre a aplicação de pena capital pelo Estado, com considerações pró e contra, A argumentação trouxe aspectos exatamente como também partilhava, de que a pena capital ao longo da história esteve presente em diferentes sociedades, sem resultados eficazes como se justificava na proposta, prevalecendo situação de barbárie onde justiça é confundida com vingança. Na adoção da medida na atualidade (em termos oficiais) é como se houvesse retrocesso, vivendo-se da mesma maneira como a milhares de anos. Outra questão ressaltada é a suscetibilidade à injustiças, potencial em sociedades como a nossa, onde existe racismo estrutural e manobras interesseiras nas leis. Foi citado o Código de Hamurabi (olho por olho, dente por dente) e a Bíblia foi incluída nessa visão, mas esqueceram de observar que, no Antigo Testamento, havia também a possibilidade de escape da morte em certas situações, diante do estabelecimento das chamadas cidades refúgio, onde os criminosos deveriam permanecer sem se ausentar, pois o descumprimento implicaria na pena capital outorgada a qualquer vingador do sangue que encontrasse o criminoso fora da cidade. Para os que são favoráveis, um dos argumentos é que, embora saibam que a pena de morte não reduza a violência, vai porém dar fim a possibilidade de violência do condenado. Essa questão não separo da visão espiritual, onde Jesus salvou do apedrejamento uma mulher e veio para dar oportunidade de nova vida a todos. É o suficiente para não ser favorável a pena de morte para ninguém. A edição tem notas correlacionadas a conflitos pelo mundo, possibilidades de guerra, tecnologias bélicas, serviços de espionagem, terrorismo, mas destaco ainda a reportagem com a história do Prémio Nobel (tem injustiças e ironias, como o que foi ressaltado pela revista em outra edição, sobre pessoas que em algum momento foram ou apoiaram o terrorismo e, tempos depois, receberam o Nobel da Paz contra lutas que ajudaram a acirrar no passado). Outra legal foi a reportagem "É a mãe!", com a etimologia de alguns termos ofensivos. Vou registrar "idiota" e "otário", que tem origens inusitadas... 'Idiota' teria sido usado pelo estadista Péricles no século 4 a,C com conotação de pessoa essencialmente preocupada com os interesses pessoais e negligente às questões coletivas. Seria um interesseiro avesso à responsabilidade democrática. Ao longo dos séculos passou a ser associada a falta de entendimento, alienação e desajuste com a realidade. 'Otário' vem do nome científico da família dos lobos e leões marinhos, que pela natureza característica são associados a algo lerdo e vagaroso, passando a designar também debilidade mental, Me divirto nesses estudos... Leitura no contexto da pandemia em Macapá.

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