Apenas uma fagulha do texto de Caminhos Cruzados...
“– Oh Deus – murmurei com a voz trêmula.
- Lamento decepcioná-la. Errou...”
Ah! Se todas as decepções fossem aquela...
Se o primeiro volume da série Segredos que Ferem, te fez aguardar ansiosa pelo segundo. Amiga! Vai na minha, que o 3º é pra lá de bom!
E te digo mais. Salto alto e chuveiro nunca mais terão o mesmo significado para você, depois de lê-lo. Cala boca Adriana para não dar spoilers! Contenha-se quieta na sua sapatilha.
Emoções contidas, vamos à resenha.
Nesse livro Márcia Paiva conta-nos a eletrizante história da bela Tainá e do Tenente Campos – a pessoa que dispensa qualquer comentário.
Abandonada quando criança irá receber da vida o seu pior. Quinze anos mais tarde, quando enfim poderia recomeçar do zero e um nova história, o passado dá as caras com seus olhos negros amedrontadores, fazendo-a mergulhar no pior de seus pesadelos. O Terrível barulho de suas lembranças.
E para vencê-las ela precisa entender que a confiança nas pessoas é uma trilha, por vezes longa. Seja ela plana ou com depressões. Jamais poderá ser imposta, pois através das escolhas deve ser conquistada.
Tenente Campos carrega consigo o tormento que segreda, desde que há quinze anos testemunhou o extermínio de uma família, ficando no atual presente na mão dos algozes.
Ele verá que as feridas de um segredo podem ser curadas, quando os caminhos em que se divide sua história se cruzarem.
Há muito eu esperava por este livro. O primeiro me tirou o chão, tinha certeza que a escritora escreveria algo melhor ou tão bom quanto, no segundo volume.
Não consegui ler de imediato, mas a cada pausa de minhas tarefas, eu dava um espiadinha na vida de Tainá e Campos. Nessas horas meu marido comentava:
“- O que tem esse livro que você nem começou a ler e já está com esse risinho no rosto?”
Quando enfim, consegui, foi só para constar que eu estava mais do que certa. Márcia Paiva veio para ficar no roll das minhas autoras nacionais prediletas.
E como ela bem saber fazer, o enredo traz aquela sensação – que para mim é primordial e tome o Oscar, quem consegue – de que você está andando pelas ruas de São Paulo e cidades citadas. Você se sente em casa. Ponto mais do que positivo para ela, porque, diga-se de passagem, acredito que muitos autores não alcançam o que desejam, pois vivem exaltando a grama gringa do vizinho. Yes, nos temos muito a oferecer! #dadoorecado. Atrelado ao cenário brazuca, o mover rítmico dos personagens nos traz emoção e surpresa a cada virada de página. Já disse do primeiro livro, que ela faz uma transição de cena, ímpar. E esse “quê” policial de sua série – Viva a corporação! – é de enlouquecer! São bárbaros, positivos e operantes, capitão!
Sentimentos que a flor da pele, nos acompanha a cada capítulo, sendo as marcas indeléveis da bela história: coragem, lealdade, amizade e compromisso entre os homens da lei, de Márcia Paiva.
A nova trama explora universo da orfandade de uma forma muito emocionante, que faz o leitor chorar e rir muito com Tainá. Prepare os lenços de papel.
Como no primeiro livro, Caminhos Cruzados conta também as história de muitos outros coadjuvantes que transitam entre os principais. O que nos dá o prazer de rever alguns deles, do livro anterior. E a importância de todos será revelada de forma surpreendente. Então se no meio de um parágrafo, você se deparar com uma cara nova ou já conhecida. Não se preocupe, pois todos tem um papel fundamental na trama. Isso vai do caseiro de uma casa de praia a vizinha do Condomínio Militar. Até uma cunhada passa a ter sua serventia. Nada contra as cunhadas, amo as minhas. E claro, que não nos faltara os quatros cavaleiros da Rota o que deixa o ambiente muuuuuuuuuuuuuuito bom! Cada um com seu lema promissor e compromissado de defender e proteger cidadãs... Ops! Cidadãos
Terceiro volume: ansiosamente aguardado.
E que venha o Opala SS 78, cinza e preto varrendo o asfalto na minha direção. Quem ler, entenderá.
P.S: Quando leio algumas excelentes obras, tenho a nítida sensação de ver o autor sentado, tecendo, seja no computador ou caderno, a história que escreve a sua alma. Não basta apenas publicar um livro, a sua alma deverá acompanhá-lo. Quiçá, seja ela que entregará o seu sonho ao leitor.
Adriana Ramiro.