Peguei Caminhos de Sangue para tentar tirar A Dança dos Dragões da cabeça, tem chão para Winds of Winter vir à tona e não vi muito sentido em prolongar minha agonia. Como todo mundo sabe, uma ressaca respeitável não some num piscar de olhos e as dores de cabeças literárias são piores ainda, mas, definitivamente, o livro de Moira Young foi melhor que Tylenol!
Não foi a atmosfera apocalíptica, uma coisa meio Livro de Eli que me ganhou. Também não foi a narrativa estranha/ousada quase cansativa , já chego nela. Foi o par romântico!
Não ligo se é spoiler e juro que é minúsculo, ouçam os anjos tocando trombetas de cima das nuvens de poeira vermelha e cantem comigo!
NÃO TEM TRIANGULO AMOROSO!
Posso ter um amém aqui, irmãos??
Enfim, todo mundo no livro é grosso. Até a menina de 9 anos é grossa. Mas Saba e Jack são os piores. Ela é uma cabeça-dura e ele é ultra charmoso de um jeito totalmente não convêncional, trocam farpas, provocações, palavras duras e são sérios candidatos à violência doméstica. E completamente adoráveis juntos.
Provavelmente por eles não ficarem de melação e mimimi a coisa é mais intensa. Prendi a respiração um trecho ou dois só na expectativa de ver o que ia acontecer ali. E não me desapontei, pelo menos não o tempo todo.
Agora, a personagem principal, Saba, é osso duro de roer. Mesmo. Em poucas palavras, a menina é uma vaca com todo mundo que não seja seu precioso Lugh, inclusive com a sua irmãzinha Emmi. Na verdade, com a Em é ainda pior, Saba se ressente pela mãe ter morrido no parto da irmã mais nova e por nada ter sido o mesmo depois disso. Ela despreza a garotinha e sinceramente gostaria que fosse ela a ser levada no lugar de Lugh. Provavelmente ela só iria atrás de Emmi porque seu gêmeo iria. É bom ver a progressão das duas conforme viajam juntas e descobrem o qual parecidas são.
A escrita de Moira, nesse livro, talvez desagrade muita gente e confesso que me incomodou bastante no comecinho. Eu li e reli a contracapa umas boas 5 vezes. Também levei algumas páginas para tirar aquele incômodo de mim e seguir adiante. No momento que aceitei o jeito da Saba de narrar a estória, a leitura fluiu e não parou até que eu fechasse o livro. É tudo ágil e rápido, se você piscar, meio mundo já mudou, principalmente na primeira metade, na segunda as coisas se arrastam um pouco mais.
Esperava mais da ação. Como numa estória que insinua sexo, mas não descreve nada, nesse livro sentimos o cheiro do sangue, mas ele não respinga em nós.
Claro que não é regra, mas acredito que as cenas das lutas poderiam ter mais detalhes, isso enriqueceria e muito a estória. Imaginem se em Gladiador só mostrassem o Russell Crowe entrando na arena, medindo seu oponente e depois já de volta para o merecido descanso? Anticlímax, brochante, né?
Mas nem por isso o livro é chato, gostei muito da relação estabelecida entre Saba e as Gaviãs livres, sua postura quando estava à mercê da Jaula e como tudo me lembrou um vídeo-game. Ike e Emmi são ótimos personagens secundários e balanceiam as ações de Saba e Jack, sem eles o livro não teria metade do bom gosto que tem!
Olhando por cima, até dá para dizer que Dust Lands tem moldes de Jogos Vorazes, mas bem por cima mesmo. Eles são feitos de material diferente e, sinceramente, é coincidência que eu, fangirldehungergamesassumidahistéricapeetaseulindo, tenha gostado tanto desse livro.
Com uma trama de fim clichê e personagens absolutamente originais, Caminhos de Sangue não é sombrio, não é forte, nem violento, mas abre caminho para uma coisa bem maior. Que venha Rebel Heart! Seu lindo!
P.S.: Aquele conselho: evite a ressaca, continue bebendo? Funciona! Funciona até pra ressaca literária! O resultado? Uma dor de cabeça maior ainda!! Rebel Heart só sai dia 30 de Outubro. No Jack até dia 30 de Outubro! Até. 30. De. Outubro. Eu mereço...
Para conferir essa e outras resenhas na íntegra, acesse:
desigusson.wordpress.com