Alvin Carl Plantinga
Alvin Plantinga é tido, ao lado de Richard Swinburne, o principal filósofo da religião do mundo. Alvin Plantinga é um filósofo considerado pela revista Time, como a figura central em uma revolução silenciosa que trouxe a respeitabilidade da crença em Deus entre filósofos acadêmicos. Plantinga é Ph.D. em filosofia pela Universidade de Yale e atual ocupante da cadeira John A. O’Brien de filosofia na Universidade de Notre Dame.
Autor de inúmeros livros e artigos, a sua reflexão filosófica incide não apenas sobre a filosofia da religião, mas também sobre a metafísica e a teoria do conhecimento. Na área da metafísica, da modalidade destacou-se por oferecer um dos primeiros tratamentos alargados dos conceito de necessidade e mundos possíveis, no livro The Nature of Necessity (1974) — isto numa altura em que não só poucos filósofos dominavam os aspectos elementares da lógica modal, crucial para acompanhar o raciocínio e a teorização nesta área, como as resistências de Quine (segundo as quais os conceitos modais seriam incoerentes) eram ainda levadas muito a sério. O livro Deus, a Liberdade e o Mal (originalmente publicado no mesmo ano) foi responsável por mudar o debate sobre o problema do mal: até então, o debate centrava-se na suposta incompatibilidade lógica entre a existência da divindade teísta e a existência de mal; Plantinga defendeu com tal vigor a ideia de que nenhuma inconsistência havia, que o debate passou desde então a centrar-se na ideia de que a existência de mal não é logicamente incompatível com a divindade teísta, mas que constitui um forte indício contra a probabilidade da sua existência. Na antologia Faith and Rationality (1983), por si co-organizada, está já presente o trabalho que o ocuparia nas próximas décadas: a ideia de que é epistemicamente legítimo ou racionalmente aceitável acreditar na divindade teísta sem provas. Este tema reapareceu nos seus três livros seguintes: Warrant: The Current Debate (1993), Warrant and Proper Function (1993) e Warranted Christian Belief (2000). Rigoroso, sofisticado, por vezes humorístico, Plantinga é um dos filósofos de hoje que exibe o melhor da filosofia contemporânea. Desconhecer o seu pensamento é hoje sinal de uma desatenção incompatível com um interesse genuíno pela filosofia.