As histórias desse livro aconteceram de um jeito ou de outro, realmente. Ou poderiam ter acontecido. São histórias que tiveram artigos e recortes de jornais ou revistas como pano de fundo, e muitas delas são tão absurdas que a gente até duvida.
Algumas, como a do boto, a dos ticuna e a do boi, infelizmente são muito verdadeiras e acontecem até hoje, pois a barbárie é bem tangível e a humanidade é desumana.
A história de D., o menino que ficou psicótico devido ao uso indiscriminado e desregulado de seu computador, foi uma que eu achei absurdamente real, e o pior é que hoje em dia é bem mais passível de ocorrer, pois vivemos em plena era da informação, onde tudo está a um toque de tela, e usamos a internet para tudo. Mas não há somente tristeza, dor e desolação.
Há outras histórias nesse livro também capazes de tocar nossos corações, como a do ex-soldado que viaja até o Brasil para reencontrar o menino japonês que ele salvara em plena Segunda Guerra Mundial.
E não pude deixar de chorar ao ler a crônica sobre Sílvio Delmar Hollenbach, que foi morto por ariranhas pra salvar um menino que havia pulado no viveiro delas. De heróis como esse, infelizmente, raramente ouvimos falar. O que há de errado com o mundo, parece berrar este livro de uma de nossas grandes escritoras, Giselda Laporta Nicolélis. E que o berro ecoe por gerações...