"Quando o velho Mikolai, em seu leito de morte, deixou Hania sob minha tutela e consciência, eu tinha dezesseis anos; ela era quase um ano mais jovem e também acabava de sair da infância. Tive de tirá-la da cama de seu avô morto quase à força, e ambos fomos para a capela doméstica de meu pai. As portas da capela estavam abertas e, diante da velha imagem bizantina da Mãe de Deus, duas velas estavam acesas. O brilho destes iluminou, mas fracamente, a escuridão no altar. Ajoelhamo-nos, um ao lado do outro. Ela, quebrantada pela tristeza, cansada pelos soluços, pela insônia e pela dor, apoiou sua pobre cabecinha no meu braço, e assim permanecemos em silêncio. Já era tarde; no corredor adjacente à capela, o cuco cantava roucamente no velho relógio de Dantiz, segunda hora depois da meia-noite. Silêncio profundo por toda parte, quebrado apenas pelos suspiros dolorosos de Hania e pelo som distante do vento nevado, que sacudia às vezes a janela de chumbo da capela. Não ousei dizer uma palavra de consolo, eu simplesmente a puxei para mim, como seu guardião, ou seu irmão mais velho." Esse é o começo da poderosa "Hania" (1876) de Henryk Sienkiewicz — uma novela clássica polonesa. ==== https://pl.m.wikipedia.org/wiki/Hania_(nowela) https://pl.m.wikipedia.org/wiki/Henryk_Sienkiewicz




