O diagnóstico das causas da miséria humana - pobreza, fome, doenças, guerras, injustiça, opressão e perseguições por opiniões dissidentes - é tão velho quanto o próprio Homem. Antes que o formulasse em termos de crítica social objetiva, ele o enunciou no profetismo do século XVI antes da era cristã, quando os hebreus, vindos dos desertos ao norte da Arábia e do Leste do Egito, penetraram em Canaã. E desde então, o Homem não fez senão aprofundar aquele diagnóstico, sendo-lhe invariavelmente mais fácil concordar com as causas da miséria do que estabelecer uma unidade de vistas sobre as fontes da felicidade humana, talvez por serem tais fontes eminentemente íntimas. O autor, neste livro, não só volta ao reexame das causas determinantes do sofrimento humano, sempre atribuíveis às instituições e a fatores sociais, como submete a forte análise os modelos de criação de sociedades das quais seja banida a miséria humana ou, pelo menos, atenuada. Procedida a análise, no plano geral das idéias e concepções, o autor aplica sua investigação ao horizonte das perspectivas de mudanças, emergente na sociedade norte-americana, que é um dos paradigmas das sociedades ocidentais contemporâneas. No curso de sua investigação, sempre aderida às tendências internas da sociedade americana e ao contexto internacional, Moore Jr. aborda os problemas da natureza da crueldade, do papel da agressão, e da complexa e contraditória relação entre Ética e Política, transparente em sua pegunta: "Por que os revolucionários começam com camaradagem e terminam com fratricídio?". Vendo a crueldade presente ao funcionamento mais rotineiro da sociedade humana, o autor conceitua a agressão, no entanto, não como um instinto, mas como potencial condicionado pelos mecanismos sociais. Colocando em tela o agudo problema de como controlar o poder da autoridade, promove a avaliação crítica das tentativas de respostas dadas a esse problema, contidas tanto nas propostas conservadoras, quanto nas liberais e nas radicais. Volta ainda a examinar o papel dos intelectuais e das Universidades na busca de uma sociedade mais racional e, consequentemente, adstrita ao respeito à criatura humana.

