Simplesmente ridículo
Em seu livro "A Terra Oca: A Descoberta de um Mundo Oculto" (The Hollow Earth, Editora Record) o teorista da conspiração Raymond Bernard ocupa 256 páginas repetindo à exaustão a história de que, em um vôo de reconhecimento passando pelo Pólo Norte, o aeronauta Richard E. Byrd teria se deparado com uma verdejante floresta tropical. Byrd teria descoberto por acaso um dos segredos mais bem guardados pelos governos: que nosso planeta seria oco, vazado nos pólos; que a parte interna da Terra seria uma zona tropical com um dia perpétuo, aquecida por um mini-sol pairando exatamente no centro vazio; que os raios deste pequeno sol, ao escaparem pelas aberturas dos pólos, seriam os causadores das Auroras Boreais e Austrais; que a parte interna do mundo seria habitada por humanóides gigantescos descendentes dos atlantes; que os discos voadores (OVNIs) seriam meios de transporte utilizados por esse povo intra-terreno; que o lado interno da Terra poderia ser alcançado não só através dos pólos, mas também por cavernas e túneis secretos perfurados na crosta terrestre. Na verdade a temperatura das regiões polares não é uniforme. Ilhas de relativo calor podem surgir como resultado da confluência de fatores naturais: afloramento de vulcões ou águas termais (vide Islândia), proximidade de correntes marítimas, aquecimento desigual da superfície do planeta por causa do relevo irregular e das correntes de ar; mesmo algum fenômeno ainda desconhecido, relacionado à mudança climática. Se o comandante Byrd realmente se deparou com uma mata verdejante no Ártico, deveria ter primeiro procurado uma explicação racional, ao invés de embarcar em uma fantasia de conspiração. O autor alega que a inexistência de rotas comerciais aéreas e marítimas regulares sobre as regiões polares seria uma evidência da existência de “buracos” nestes locais. Sem dúvida, mas não se trata de buracos físicos e sim de buracos LOGÍSTICOS: imensidões desabitadas, com um clima extremo e traiçoeiro impondo um formidável desafio à nossa tecnologia de construção e de equipamentos, onde pousos de emergência e operações de resgate seriam praticamente impossíveis.

