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    Réquiem: sonhos proibidos -

    Petê Rissatti

    Terracota Editora
    2012
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788562370434
    Português Brasileiro
    3.5
    12 avaliações
    Leram19Lendo0Querem20Relendo1Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados20Avaliaram12

    O que você faria se não pudesse mais sonhar? Essa é a questão que Petê Rissatti abre com seu romance. Ivan G., o protagonista, vive num mundo regido por uma única mão forte, o Governo Mundial. Um dia, recebe uma carta informando que todos os cidadãos estão proibidos de sonhar e, para isso, deverão tomar o Réquiem, um medicamento que anula qualquer possibilidade de sonhos. A punição para quem tem os sonhos rastreados é pesada e ninguém quer se arriscar. Ivan, um mero organizador de arquivos do Governo, muito menos. Porém, numa noite qualquer, Ivan fica sem Réquiem e acaba cometendo o crime. A partir daí, sua vida vira de pernas para o ar quando se vê envolvido com os revolucionários Sonhadores, numa batalha de morte com o Governo opressor.

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    Soraya Felix24/06/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um livro acima das expectativas

    O livro de Petê é fluido, absorvente e como, a meu ver, todo romance deve ser: - impossível de largar sua leitura até o fim. Tradutor da difícil e complexa língua alemã, e como tradutor de obras ele acaba sendo co-autor de cada uma delas, aprendeu muito bem as lições de nossos mestres alemães. Então você encontra parágrafos longos demais para a língua portuguesa, mas extremamente adequados ao tom da história. Seus personagens são densos, pesados muito próximos dos que já encontrei em Franz Kafka (O Processo) e um pouco de Dostoiévski (Ivan me lembrou de Aliocha). Não que ele seja igual a eles, não, mas há algo deles no livro. À primeira vista a obra me pareceu cíclica, como alguns sonhos que nos atormentam em noites agitadas, mas não. Se bem observado, Petê Rissatti construiu Réquiem de forma espiral ascendente, que o leitor poderá perceber claramente no último capítulo, nos pequenos detalhes do cotidiano-máquina de Ivan. Sinceramente espero por uma continuação da história. A trama é simples. O mundo é controlado por lideres malucos que resolvem proibir as pessoas de sonhar e as dopam com uma droga chamada RÉQUIEM. Ivan, nosso protagonista, é um funcionário público pacato e totalmente adequado as regras ditatoriais do governo. Um dia, e isso acontece no inicio do livro, ele se esquece de comprar um novo estoque de Réquiem e acaba sonhando. Depois deste sonho, a vida de Ivan se transforma e ele vai descobrindo fatos e sentimentos sobre si mesmo que desconhecia. Quem o ajuda nesta jornada são os Sonhadores, um grupo revolucionário que deseja, em resumo, devolver o bem mais caro que possuímos: - a liberdade. Não dá para detalhar muito a trama sob o risco de publicar spoilers. Agora a experiência de leitura foi fantástica, já que lendo Réquiem, Petê me fez lembrar de livros que fazem parte da minha lista de “os melhores”. Quando descobri que a história toda girava em torno da droga Réquiem, ficou impossível não ser remetida ao SOMA, do fantástico “Admirável Mundo Novo, Aldoux Huxley”. Os cinco lideres, esses fanáticos dominadores me levaram novamente ao mundo de “1984, de George Orwell”; No entanto, o que mais encantou foi a aproximação com o mundo distópico de “Fahrenheit 451, de Ray Bradbury”, e isso não foi espantoso já que Réquiem inicialmente era um conto de uma publicação que referenciava esta obra. Agora talvez alguém se pergunte o porquê do mundo dos sonhos ser proibido? Sonhar é um dos atos mais livres, mais pessoais e incontroláveis que o ser humano é capaz de produzir. Há um senso comum que afirma que o pensamento não pode ser controlado. Eu discordo. Há formas de controlar. Mas os sonhos, aquilo que acontece conosco quando colocamos a cabeça no travesseiro e fechamos os olhos, eles são independentes e ricos, e dizem muito sobre nós. Controlá-los significaria nos transformar em zumbis, em seres teleguiados. O final é surpreendente. Petê Rissatti conseguiu nos tirar do lugar comum, mas também conseguiu uma pequena ponta de – Por quê ele fez isso com Ivan? – Depois fica claro que o final não poderia ser outro, talvez por que o próprio livro seja o anti-réquiem do leitor. O que mais eu posso dizer sobre ele? Que foi um dos melhores livros que li este ano e que o autor tem um futuro brilhante pela frente e um dos motivos é que a literatura de Petê é universal, o que significa que sua obra faria sucesso traduzida para o inglês ou alemão, não deixando nada a dever para os autores atuais dessas línguas. Eu repito a proposta que gosto de fazer a meus leitores: - Leiam de depois me escrevam. No meu caso Réquiem já está na lista de releituras. Veja resenha completa em: http://prosamagica.blogspot.com

    1 curtida

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    3.5 / 12
    • 5 estrelas8%
    • 4 estrelas58%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas0%
    Petê Rissatti profile picture

    Petê Rissatti

    Nascido em 1979, no propício Dia Nacional do Livro, Petê Rissatti é escritor, tradutor (inglês e alemão), preparador, leitor crítico e blogueiro. Formado em Letras/Tradução Inglês-Português pelo UNIBERO e com Especialização em Tradução de Alemão pela USP, traduziu, entre outros, Sincero, de Jürgen Schmieder (Ed. Verus/Grupo Record) e Os bastidores do Wikileaks, de Daniel Domscheit-Berg (Campus). Participou da coletânea Blablablogue – Crônicas e Confissões (Terracota) e da revista Portal Fahrenheit, ambas organizados por Nelson de Oliveira. Réquiem: sonhos proibidos é seu romance de estreia.

    3 Livros
    0 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    Petê Rissatti