Vieira participa integralmente da "forma" de um século que não concebe meio de falar a deus, e de deus, sem experimentar ou aprender a letra diversa do mundo, tão desfigurada pelos pecados da ocasião quanto impregnada da "graça permanente" de seu criador. Nesse sentido, não há escrito do jesuíta que não seja político: não sê-lo, para ele, equivaleria a renunciar à prática da "caridade" cristã, deixar de intervir nas formas da vida social do homem de modo a prepará-lo para tornar-se, pela boa escolha de seu livre-arbítrio, co-autor da providência. Um cuidado desta compilação foi o de propiciar, através de papéis de gêneros distintos, uma espécie de quadro sintético dos tópicos políticas mais recorrentes na atividade intelectual febril do Padre Vieira, em seus noventa anos de vida tumultuosa. (Alcir Pécora)
