Um Espião Perfeito -

    John le Carré

    Circulo do Livro
    1990
    506 páginas
    16h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O agente secreto Magnus Pym, conselheiro da Embaixada Britânica em Viena para certas questôes que não podem ser mencionadas, volta à Inglaterra para o enterro de seu pai, um vigarista de alto bordo, e desaparece misteriosamente. Seus ex-companheiros acreditam que ele tenha passado para o outro lado, e enquanto tentam descobrir seu paradeiro, ele mesmo se empenha em uma busca decisiva:a procura de sua própria identidade.

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    Luiz Miranda11/01/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Puzzle Perturbador

    Se você nunca leu John le Carré, não comece por este! Um Espião Perfeito pertence a categoria "livro difícil", é indicado para leitores experientes, de preferência familiarizados com a obra do escritor. 500 páginas de escrita não linear, narração em primeira e terceira pessoa, capítulos gigantescos e "fluxo de consciência" predominante. Levei mais de 2 meses pra concluir essa muralha. Uma experiência literária marcante e não exatamente divertida. De cara, confirmei minha impressão após algumas dezenas de páginas: a história de "espionagem" é apenas pano de fundo pra verdadeira intenção de Carré: contar sua própria história, exorcizar demônios. O livro trata do sumiço de Magnus Pym, espião britânico suspeito de traição e procurado por ingleses e americanos, não dá pra falar mais que isso. A trama intercala as memórias de toda a trajetória de Pym, com o atual momento em que é caçado. O escritor narra essa saga de modo febril, rigoroso, sem nenhuma concessão ou facilidade pro leitor. Aqui você tem quase zero de diálogos expositivos e tudo exige concentração e determinação. O mais impressionante é o desfile de personagens, com destaque pra Rick Pym (obviamente baseado no pai do escritor), vigarista carismático sempre acompanhado de uma trupe de seguidores e incautas namoradas, e claro, seu filho e protagonista, Magnus Pym, mitomaníaco, múltiplas personalidades, manipulador como o pai. As razões que levam Pym a fazer o que fez nunca ficam claras. O escritor não julga, não dá lição, muito menos explica. É você leitor, que vai encaixar o quebra cabeças e tirar suas conclusõs finais. E por falar em final, não dá pra negar a força do desfecho do imbróglio, um perturbador plot twist. Enfim, entendo o porquê de muitos o considerarem o grande livro de John le Carré (Philip Roth, por exemplo), e entendo também que não seria justo da minha parte dar 5 estrelas, pois tive dificuldades e momentos aborrecidos na leitura. Indico apenas para leitores calejados e dispostos a desafios. 4 estrelas

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