Edição 59 - Junho 2012 Impasse na Rio+20 por Silvio Caccia Bava As discussões que devem ocorrer na Rio+20 estão em um impasse. Um encontro no qual já confirmaram presença mais de cem chefes de Estado e que deveria anunciar ao mundo um novo pacto em defesa da sustentabilidade não vai mais fazê-lo. Os governos dos países centrais do capitalismo não parecem ... MEIO AMBIENTE O transporte urbano no Brasil por Eduardo A. Vasconcellos Uma política diferente de mobilidade deveria reduzir os benefícios e subsídios ao transporte individual, garantir espaço nas vias públicas para que as formas não motorizadas e o transporte público tenham qualidade, segurança e prioridade na circulação, e incentivar novas formas de ocupação e desenvolvimento urbano ECONOMIA E JUSTIÇA Franceses iniciam campanha por auditoria cidadã da dívida por Jean Gadrey De tema frustrante ou inatingível, a questão da dívida pública tornou-se “desejável” para aqueles que começaram a dominar o assunto, como ocorreu no caso da reforma da previdência em 2010 ou do projeto do Tratado Constitucional Europeu (TCE), em 2005 ENTRE O IDEAL ESPORTIVO E A LEI DO MAIS FORTE Clubes de futebol: iguais, mas não muito por David Garcia De 8 de junho a 1º de julho, a Eurocopa 2012, organizada pela Polônia e pela Ucrânia, verá o confronto de craques de grandes clubes. Superendividados, os times foram chamados pela Uefa a se endireitar. Porém, o “fair play financeiro” recentemente decretado pode de fato preocupar as equipes de elite do continente? AMEAÇA À DEMOCRACIA Radicalização por Serge Halimi MEIO AMBIENTE A sustentabilidade das cidades e a Rio+20 por Nabil Bonduki MEIO AMBIENTE Cidades justas e sustentáveis por Silvio Caccia Bava Meio Ambiente As Olimpíadas e a Rua por Anne Querien MEIO AMBIENTE A biodiversidade do Equador nas mãos da solidariedade internacional por Aurélien Bernier MEIO AMBIENTE A energia renovável vai para o espaço por Amâncio Friaça MEIO AMBIENTE Arquitetos, não derrubem nada! por Philippe Bovet SERVIÇO DOMÉSTICO “Um trabalho de formiga” por Pierre Souchon ENTREVISTA "A literatura não é regional ou universal: é individual" por Felipe Machado AS VELHAS FÁBRICAS DA FOXCONN Na China, a vida segundo a Apple por Jordan Pouille JUSTIÇA Ministério Público à brasileira por Rogério B. Arantes CULTURA VIVA NA AMÉRICA LATINA É tudo tão comum! por Célio Turino CANADÁ A tenacidade dos estudantes do Quebec por Pascale Dufour GOLPE DE ESTADO EUROPEU UE cada vez menos democrática, e menos social por Raoul Marc Jennar NACIONALIZAÇÃO DA YPF E Buenos Aires (re) encontra o petróleo por José Natanson LUTA DE CLASSES OU RESPEITO ÀS DIFERENÇAS? Igualdade, identidades e justiça social por Nancy Fraser MEIO AMBIENTE O transporte urbano no Brasil por Eduardo A. Vasconcellos ECONOMIA E JUSTIÇA Franceses iniciam campanha por auditoria cidadã da dívida por Jean Gadrey ENTRE O IDEAL ESPORTIVO E A LEI DO MAIS FORTE Clubes de futebol: iguais, mas não muito por David Garcia RESENHAS A REINVENÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA (1953-1964) Murilo Leal, Ed. Unicamp Com uma visão sensível sobre a luta de classes no Brasil, A reinvenção da classe trabalhadora apresenta de forma inovadora as conquistas do movimento operário, principalmente metalúrgico e têxtil, do ABC paulista. No livro, Murilo Leal busca interpretar o papel da classe trabalhadora enquanto sujeito político num contexto intenso de reestruturação industrial. Da tradição teórico-metodológica inaugurada por E. Thompson, Leal percebe a cultura como dimensão constitutiva da realidade. Assim, ele dialoga com as “formas hegemônicas” segundo Raymond Williams, a “cultura da solidariedade” proposta por Rick Fantasia, a “ordem simbólica e sintomas” de Slavoj Žižek, a crítica ao populismo, entre outros debates correntes. Ao aproximar-se do cotidiano operário, o autor humaniza a classe na perspectiva da “história vista de baixo”, engendrando relações de trabalho e sociais. Sua percepção heterogênea inclui mulheres e jovens nas articulações políticas, o movimento estudantil. Traz o universo popular nas representações do 1º de Maio, o samba e o futebol. Na análise, enquanto jornais segmentários como O Metalúrgico e A Seda buscavam denunciar o autoritarismo na medida do possível, o influente Última Hora, de Samuel Wainer, tanto recebeu Jean-Paul Sartre para entrevista como tentou suspender a “Greve da Fome” a pedido de Juscelino Kubitschek. Ao delinear a “peleja” da auto-organização desde a “Primeira paralisação geral” (1953) à “Greve dos 700 mil” (1964), Leal compara resultados. Destaca-se a sindicância de Paul Singer na instituição do Dieese. A “nova arma operária nas lutas econômicas” envolveu 22 sindicatos e economistas independentes da Federação das Indústrias (Fiesp), que até então estipulava estatísticas, preços e custos de vida. A leitura toca sobretudo na permanente questão periférica da capital-símbolo do progresso, onde paulistas, migrantes e imigrantes – ainda presentes nos bailes, bairros e discursos – podem identificar o memorável espírito de reinvenção trabalhista. Marília Arantes Jornalista, bacharel em História e Relações Internacionais pela PUC-SP e mestranda no Instituto de Relações Internacionais da USP. A COR NA ARTE John Gage, Ed. Martins Fontes Nesse livro, John Gage nos encaminha para um belo percurso sobre o uso da cor na arte, tratando o tema com base num campo interdisciplinar bem amplo, porém centrado no pensamento e na prática dos artistas. Nesse sentido, partimos do fenômeno da cor como luz e vislumbramos aspectos que vão da Antiguidade clássica às teorias vanguardistas do início do século XX, cotejando as obras dos artistas citados. A leitura dos capítulos pode ser feita independentemente uns dos outros, muito embora possamos agrupar alguns capítulos intermediários pelo tipo de abordagem em que estão assentes, qual seja, os possíveis significados que as cores propiciam e os sentidos que efetivamente ganharam ao longo do tempo, na psicologia, nas relações entre cor e forma, cor e história, cor e religião, enfim. Vale destacar os pontos em que o autor aponta, na história, a relação entre as cores – e a matéria de onde eram extraídos os pigmentos – e o funcionamento adequado e saudável do corpo humano. Nas palavras do autor, “a pedra preciosa hematita, frequentemente usada como pigmento vermelho, [...] era capaz de curar, por afinidade mágica, os distúrbios do sangue e da menstruação”. Em outro capítulo que merece atenção, Gage trata de manifestações artísticas como o teatro e o cinema, tornando evidente que o uso das cores não é um privilégio dos pintores ou uma prerrogativa da pintura. Aliás, no capítulo final, o autor ressalta que nem sempre a cor foi o elemento visual essencial da pintura, revelando certo anticolorismo permeando a história da pintura ocidental, em particular naqueles artistas que passaram por um período em que adotaram uma pintura monocromática. Em todos os aspectos que Gage aborda no livro, torna-se evidente que se trata de mais um clássico dos estudos de arte e cor publicados no Brasil, de leitura obrigatória para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, vivem imersos em um mundo de imagens e de cores. Sua publicação no Brasil, no entanto, tomou uma dimensão de homenagem póstuma, considerando a morte do autor em fevereiro deste ano. Jorge Paulino Professor de História da Arte da Cásper Líbero e História da Arquitetura da Anhanguera. Mestre em Arquitetura pela FAU-USP e especialista em História da Arte pela Faap. OCCUPY: MOVIMENTOS DE PROTESTO QUE TOMARAM AS RUAS Autores diversos, Ed. Boitempo O ano de 2011 foi marcado pela irrupção de uma série de movimentos de protesto que ocuparam as ruas do norte da África, Europa, Estados Unidos e América do Sul. Desde então esses eventos vêm marcando o cenário político global e são tema dos artigos que compõem essa coletânea publicada em coedição pela Boitempo e Carta Maior, escritos por pensadores críticos de diversas nacionalidades. Uma das principais restrições da grande mídia aos movimentos de protesto diz respeito à sua falta de programa. O fato, encarado de forma negativa pela opinião pública, é apresentado como virtude por Vladimir Safatle, para quem a disposição ao debate por parte dos manifestantes garante o tempo necessário para “o pensamento agir”. Para Slavoj Žižek, o tabu foi rompido: a predominância do liberalismo no cenário político não nos trouxe o melhor mundo possível, razão pela qual temos o dever de pensar em alternativas. Precisamos, contudo, evitar a tradução apressada da energia das manifestações em propostas pragmáticas concretas, pois qualquer discussão a essa altura será nos “termos do inimigo”. As pessoas protestando nas ruas são respostas para perguntas ainda não formuladas; cabe a nós dedicarmo-nos a essa reflexão. É um livro de intervenção na medida em que se dedica à formulação de perguntas, tratando a história desses protestos como viva ao se esquivar de uma abordagem “retrospectiva”. David Harvey afirma que, para os movimentos terem êxito como projetos anticapitalistas, devem se esforçar para atingir efetivamente os 99% que dizem representar. Não é uma tarefa simples: para conseguirmos nos voltar às questões que realmente importam – acerca dos bens comuns à humanidade –, devemos nos dispor ao debate radical e saber formular exigências que pareçam impossíveis (cuja realização, imprescindível para nossa sobrevivência, somente seja possível fora do sistema capitalista). Occupy é um bom convite para abraçarmos a incerteza e deixarmos de lado a perigosa segurança de falsas certezas. Kim Doria Formado em Comunicação Social pela Facom/Faap e pesquisador em crítica cultural e filosofia política contemporânea. NELSON WERNECK SODRÉ: O GENERAL DA HISTÓRIA E DA CULTURA José Paulo Netto, Ed. Expressão Popular Nas páginas iniciais, Nelson Werneck Sodré: o general da história e da cultura é definido como um “pequeno livro”. Só seria possível classificá-lo assim por suas 92 páginas em formato de bolso, pois se trata de um pequeno grande livro. Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e intelectual de prestígio internacional, José Paulo Netto oferece aos leitores o perfil de uma das figuras mais expressivas da cultura brasileira no século XX. Historiador, crítico literário e oficial nacionalista do Exército, Nelson Werneck Sodré (1911-1999) faz parte da linhagem de autores que se empenham em compreender criticamente o processo sociopolítico, econômico e cultural com base nos fundamentos teóricos e metodológicos do marxismo. A construção de uma “teoria do Brasil”, a partir de exame rigoroso da formação econômico-social, constitui o ponto de unidade essencial na vasta obra de Sodré, que abarca 3 mil artigos e cinquenta livros, entre os quais História da burguesia brasileira e História militar do Brasil. Ao entrelaçar sua irrepreensível carreira militar (passou à reserva, como general, em 1961, em protesto contra retaliações da cúpula conservadora do Exército) com a rica trajetória intelectual, José Paulo Netto demonstra, convincentemente, como Sodré sempre perseguiu interpretações comprometidas com a busca da emancipação social e da soberania nacional. Contribuiu para que o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb) se vinculasse às lutas sociais no governo João Goulart. Resistiu à ditadura militar pós-1964, que o cassou e censurou, e fez dos escritos uma trincheira de resistência cultural. Sempre esteve à margem dos circuitos acadêmicos e, talvez por isso, tenha sido incompreendido por boa parte da intelectualidade universitária, que agora o revaloriza. O belo livro de José Paulo Netto contempla Nelson Werneck Sodré com o que ele tanto merecia: o reconhecimento do valor inestimável de seu trabalho para tentar decifrar o enigma que envolve os destinos do Brasil. Dênis de Moraes Professor do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da Universidade Federal Fluminense.
Le Monde Diplomatique Brasil Junho 2012 - Capitalismo Verde?
Le Monde Diplomatique Brasil
Le Monde Diplomatique Brasil
2012
39 páginas
1h 18m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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