Acabei de voltar da sua catedral, enorme, queria estar conhecendo por outra perspectiva, outra narrativa. Minha narrativa vai ser feia hoje, já te preparando, estou sem paciência para rimas ou palavras contornos, vai ser minha verdade nua e crua, suja, pura. Não quiseram me ouvir, sim, nem me ouvir, cada vez me sinto mais mal pelo que eu fiz, me pergunto por que fiz, será que só eu não enxerguei? Ainda não consigo enxergar, se for pra verdade falar. Vi a decepção mais profunda nos olhos de um do meu sangue, nunca o fiz sentir assim, nem quando por causa de uma brincadeira eu o arranquei sangue, com uma pedra, que fase, que merda. Cada vez mais a sua imagem fica embaçada, conturbada, corrompida, devastada, eu te li mesmo? Me dói o peito desconfiar que não. Achei que seria mais corajoso, medroso. Me prometa aprender, não ouse tratar outra garota assim, eu tudo bem, já sou uma mulher, ja aprendi. Seja um cavalheiro, não pergunte se ela quer, faça, coisas boas, claro. Não pergunte se ela precisa que esteja, se faça presente. Atravesse 2,7 km a pé no meio da madrugada, arrisque, viva, morra, liricamente. Meu amor, sinceramente, você poderia ofertar mais, queria poder esperar por mais. Tudo bem, me convenço, não estou lidando com um adulto, sinto um vulto, um sopro frio na espinha, me sinto puto, puta, afinal, é assim que estão me enxergando, que ironia, covardia, eu so senti, só amei. Nunca quis ser isso, queria conhecer sua família em outras condições, queria um aperto singelo de mãos, era pedir de mais né, entendo a complicação. Tenho medo de falar que te despedaçaria se te visse e você não entender, correr, de novo pra ultima pessoa que me compreenderia, ja que as vezes não compreende nem você. Falo mesmo assim, o que mais tenho a perder? Eu te despedaçaria, talvez te afogaria em lagrimas guardadas, quer saber, não merece saber. Que situação, perdi tudo, ganhei memórias, ainda vale a pena pra mim? Odeio que a verdade não mude fácil assim, queria ter meu sistema neurotransmissor em perfeito estado pra compreender, analizar, mas só consigo me confundir, chorar. Só vou aceitar que fez isso com maldade, se tiver a coragem de dizer na minha frente, dizer que se arrepende, que foi um erro, um pecado, que eu sou tudo que me condenam, até lá protegerei a imagem que conheci de você, preciso crer. Sou ateia do resto, não de você. Vai escapar de tudo isso ? Promete pra mim. Você é um pássaro livre Sua mente é desobstruída, devassa, solta. Conheço um indivíduo peculiar quando vejo um, ainda consigo te ver. Duvide o quanto quiser, minta pro espelho, diga que te enveneno, repita o ritual, corte o cabelo, rasgue o desenho, queime a camisa, duvido que consiga realmente me apagar. Depois de toda essa bagunça, eu ainda consigo te enxergar. Quando ninguém mais conseguir, quando ninguém servir, lembre com carinho de mim. Eu não vou a lugar nenhum. De coração? I love you, im sorry.
O Rei medroso -
Andrea Fernández Felsenthal
Editora Planeta
2007
14 páginas
28m
ISBN-13: 9788576653383
Português Brasileiro
Resenhas (1)Ver mais
Estatísticas
Avaliações
0 / 0- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%
