Práticas midiáticas e cidadania no Araguaia - O jornal Alvorada

    Marluce de Oliveira Machado Scaloppe

    Kcm
    2012
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-13: 9788577691326
    Português Brasileiro

    livro “Práticas midiáticas e cidadania no Araguaia – O jornal Alvorada”, da professora Marluce de Oliveira Machado Scaloppe, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), será lançado dia 21 de junho, no II Encontro Nordeste de História da Mídia, em Teresina, capital do Piauí. O livro é resultado da dissertação de mestrado que Marluce Scaloppe, do Departamento de Comunicação, defendeu no Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da UFMT em 2009. O trabalho teve o objetivo de relatar parte da trajetória do jornal “Alvorada”, motivado por duas questões - o papel exercido em São Félix do Araguaia nos “anos de chumbo” e o que foi informado aos moradores daquela área durante a época de repressão. O interesse pelo estudo, conta a autora, foi despertado por uma declaração feita a ela por Dom Pedro Casaldáliga: “O mais antigo jornal alternativo no Brasil ainda em circulação”. A pesquisa analisou 40 anos de história do jornal e abrange três momentos. O primeiro vai de 1970 até 1984, no qual a circulação do jornal era quase mensal. No segundo momento a análise abrangeu a época de 1985 a 1994, e a circulação se deu em períodos bimestrais, pois começou a ser impresso em gráfica e houve aumento dos custos. A última parte da pesquisa inicia no ano de 1995, época em que o jornal começou a circular em formato tablóide. O livro foi produzido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e editado pela KCM. O “Alvorada” O jornal “Alvorada” é um órgão de divulgação da Prelazia de São Félix do Araguaia, lançado imediatamente após a sua fundação, em 1970, e está até hoje em circulação. A primeira página é ilustrada pelo padre e artista plástico espanhol Maximino Cerezzo, também autor dos Murais da Libertação. Esses murais ilustram as igrejas da Prelazia. Desde o inicio, o jornal não tratou apenas de assuntos relacionados à Igreja, mas procurava também conscientizar a população. Os temas giravam em torno da política, Igreja, terra e questões sociais, indígenas, econômicas, entre outras. O objetivo de fazer um jornal que tratasse de assuntos da comunidade era utilizar a comunicação como forma de aproximação de setores defensores de valores como justiça. No inicio, o jornal não tinha número de páginas definido e assembleias eram realizadas para ter cada vez mais a participação das pessoas na discussão dos assuntos que se tornariam pauta. Esse contexto se deu na época em que a Igreja estava passando pela fase da Teologia da Libertação, que iniciou em 1968, e causava preocupação no Vaticano por ter ideias de mobilização através dos meios de comunicação. A Prelazia foi criada em São Félix do Araguaia logo no seu surgimento, que aconteceu pelo movimento da Marcha para o Oeste, que levou à migração de pessoas do Sul do País para a região. Para chegar até lá era necessário utilizar o rio Araguaia, pois não havia outras alternativas. Tanto que, na época em que Prelazia se instalou, nenhuma estrutura básica existia na cidade, sem contar os conflitos de terra e o trabalho escravo. As matérias do jornal, então, serviam como serviço social e o “Alvorada” teve até destaque nacional por defender a população mais carente. Além do reconhecimento que a região ganhou com isso, veio também a repressão do governo do período da ditadura e da própria Igreja, relata o livro. De acordo com a autora, o livro evidenciou a importância da comunicação como elemento na relação social e como cenário onde os cidadãos discutem e decidem assuntos de interesse coletivo.

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