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    Meu amor -

    Beatriz Bracher

    Editora 34
    2009
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788573264166
    Português Brasileiro
    3.7
    28 avaliações
    Leram63Lendo7Querem72Relendo1Abandonos2Resenhas7
    Favoritos3Desejados72Avaliaram28

    Meu amor, primeiro livro de contos de Beatriz Bracher, reúne dezoito narrativas breves da autora, mais um poema, "My Love", que encerra o volume e lhe empresta o título. Escritos e reescritos entre 2004 e 2008, esses textos, à primeira vista muito díspares, são intimamente ligados por um olhar crítico e ao mesmo tempo amoroso sobre a vida no Brasil contemporâneo. Ora é uma subjetividade dolorida e sutil que aflora e nos toca; ora é a violência urbana que explode sem disfarces na cara do leitor; ora são personagens do sertão mineiro que se mostram em toda sua humanidade atual, sem concessões ao pitoresco. É justamente essa variedade um dos pontos fortes do livro, que mostra o arrojo com que Beatriz experimenta e questiona os limites que separam não apenas os gêneros literários, mas também os territórios do urbano e do rural no imaginário literário brasileiro. Isto sem resvalar num regionalismo anacrônico nem no realismo jornalístico, deixando sempre a porta entreaberta para o inesperado, a reveladora poesia do cotidiano, por vezes crua, por vezes diáfana. Se o romance vence por pontos e o conto por nocaute, como queria o argentino Julio Cortázar, Meu amor vence das duas maneiras ao mesmo tempo. É que no jogo de encaixe e desencaixe desses contos se entremostra uma outra história: a do Brasil de agora.

    Edições (1)

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    Resenhas (7)Ver mais
    Renata  Silva picture
    Renata Silva24/09/2020Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Livro de contos bem curtinho da paulistana, fundadora da Editora 34 e uma das herdeiras do Banco Itaú, Beatriz Bracher. Sobre o livro, são uns 18 "contos" e as aspas servem pra destacar a disparidade do texto, contos que não tem uma linha que os costure, além de encontrarmos um poema e algo como uma letra de música em inglês. Li algumas críticas considerando uma escrita arrojada, experimental, mas sei lá, não parece que funciona, não dá liga. Afeto não é uma coisa proeminente nos textos, pelo contrário, a violência tem esse lugar, até aí ok, falar de violência pode ser coerente com falar de amor. Ainda assim, naqueles que seriam os melhores textos do livro, os que recontam os casos de assassinatos brutais das crianças Isabella Nardoni e o João Hélio, ou seja, textos com um potente material de comoção, a escolha vai por um caminho que causa meramente desconforto, mais uma vez a experimentação nas falas dos personagens, a observação do gozo em ruminar a tragédia, o modo como é construída e reconstruída na mídia, pelos que a repercutem, de boca em boca, de porta em porta. É uma opção, mas diante deste tema, do recontar ponto a ponto a tragédia, a criança jogada ainda viva do alto do prédio, da massa cinzenta do cérebro do menino que ficou pelo asfalto, é isso que se escolhe problematizar? Parece uma perspectiva muito deslocada, afastada de tudo que está sendo descrito.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 28
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas36%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas0%
    Beatriz Bracher profile picture

    Beatriz Bracher

    Beatriz Bracher (São Paulo, 1961) é uma escritora e roteirista brasileira. Foi uma das fundadoras da Editora 34, na qual trabalhou de 1992 até 2000. Também editou a revista 34 Letras, especializada em literatura e filosofia, entre os anos de 1988 e 1991. Escreveu o argumento do filme Cronicamente Inviável (2000) e os roteiros de Os Inquilinos (2009, prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio) e O Abismo Prateado (2011. Seu livro Antônio, de 2007, ficou em terceiro lugar no Prêmio Jabuti, na categoria romance. Além disso, foi o segundo colocado no Prêmio Portugal Telecom de Literatura e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Em 2009, recebeu o Prêmio Clarice Lispector pela coletânea de contos Meu Amor.

    8 Livros
    17 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Beatriz Bracher