A ponta é o primeiro trabalho traduzido de Charles D'Ambrosio, um autor da cidade de Seattle, celebrado pela crítica e apontado como um dos mais importantes autores da nova literatura norte-americana, ainda que tenha publicado apenas 3 livros. Traz 7 contos longos, que tiveram a primeira aparição em revistas como New Yorker e Paris Review. São histórias de pesar e esperança, sempre em direção ao mar. Os contos trazem as histórias do garoto acordado em meio à festa da mãe, do jovem que conduz a moça que conheceu num posto de estrada, do filho que pede ao pai os objetos do irmão, da mãe que acaricia o bebê ainda na barriga, do homem ao que lê carta que recebeu da mãe: todas as personagens deste belo livro de Charles D'Ambrosio lutam para extrair algum significado das grandes e pequenas tragédias de suas rotinas. Confrontadas com fronteiras físicas ou emocionais em que a única verdade possível está adiante, elas só podem chegar lá através da trilha que vai do conhecimento ao perdão e passa pelo estrito cumprimento do dever. Não há nada mais americano. Para elas, não há caminho de volta, seja na viagem rumo ao Oeste, tão cara à formação da nação americana, seja na recuperação de objetos que assumem caráter mítico, reforçando os elos com o passado. Nos contos de A ponta, o autor esculpe as faces da infância e adolescência e revela seu peso e importância na vida adulta - surgem então a infância roubada pelas tragédias familiares, a infância não realizada pelo acidente, a infância relembrada do primeiro beijo e a infância recuperada por um presépio de Natal. Valendo-se de um texto informal e cativante e de tramas tão ricas como as que encontramos somente nos romances, D'Ambrosio nos conta histórias absurdamente reais sem apelar para o hiper-realismo chocante. Temos nas mãos um autor que conhece profundamente os mitos fundadores de seu país e que, ao tratar com tal profundidade a sua aldeia, aprofunda-se com maestria no ser humano e constrói uma literatura amplamente universal.
