Odes do Desespero Machado de Assis publicou nas Falenas (1870) um longo poema intitulado "Uma ode de Anacreonte" (quadro antigo) no qual realiza uma retomada paródica e irônica, que conclui, contudo, com um tom desencantado, senão melancólico: não vos maldigo, não; / eu não maldigo o mar / quando a nave soçobra; / o erro é confiar. São versos alexandrinos (de 12 sílabas) construídos rigorosamente, com diálogos e muita experimentação. Por sua vez, Hilda Hilst, no século xx publica primeiro sua "Ode Fragmentária" (1961) e mais tarde "Da Morte: Odes Mínimas" (1980). A retomada da ode pela magnífica escritora jauense se impõe com um discurso também experimental, de versos livres, um laboratório poético intelectual e místico, e a ode quase se transforma em elegia. A experiência de vida tornada aguda consciência da finitude e o tempo esvaziado, mal sobrevivendo na memória fantasmagórica, espécie de espaço cósmico sem estrelas, sem luz e sem calor. Território sombrio da morte, prevista e anunciada, feito expectativa. Estas Odes do Desespero, de Leila Echaime (poeta de vasta e variada obra), estão no fio da tradição, impregnadas também pelo tom elegíaco e por um impulso vital de busca do que foi perdido no tempo escoado para algum lugar que a existência não revela qual é. Há um enigma subjacente nessas odes, que caberá ao leitor enfrentar: aí estão o amor e a morte, e o desespero da busca, tudo pelo filtro feminino, através do olhar da mulher.
Odes do Desespero -
Leila Echaime
Nankin Editorial
2010
87 páginas
2h 54m
ISBN-13: 9788577510559
Português Brasileiro
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