Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores66
    • Similares2
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Depois de Auschwitz - a questão do anti-semitismo em Theodor W. Adorno

    Douglas Garcia Alves Junior

    Anna Blume
    2003
    182 páginas
    6h 4m
    ISBN-10: 8574193410
    Português Brasileiro
    4.6
    8 avaliações
    Leram17Lendo0Querem49Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos3Desejados49Avaliaram8

    Lógica social que tornou possível o Holocausto teria mesmo sido superada? Em que medida o nosso presente contém ainda as mais variadas formas de destruição do humano? O pensamento do filósofo judeu alemão Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969) fornece um auxílio indispensável para o enfrentamento desse tipo de questões. Representante destacado da chamada "Escola de Frankfurt", Adorno pensou com rigor as conseqüências do genocídio praticado pelos nazistas. Este livro reconstitui sua reflexão, desdobrando-a em três planos: a antropologia da razão, a psicologia social e a metafísica, representados, respectivamente, pelas elaborações teóricas da Dialética do esclarecimento (1947), da Personalidade autoritária (1950) e da Dialética negativa (1966). O anti-semitismo é revelado como a sombra paranóica da razão, a desafiar nossa capacidade de educação política e de construção ética do social.

    Similares (2)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    gianna picture
    gianna17/07/2024Resenhou um livro
    0

    Enquanto a educação for base, a barbárie não terá espaço para desenvolver-se

    "Se a barbárie encontra-se no próprio principio civilizatório, então pretender se opor a isso tem algo de desesperador". Essa é uma frase dita por Theodor Adorno, na página inicial de sua obra "Educação após Auchwitz". A obra leva esse nome por enfatizar a importância de uma sociedade educada, pois nessa sociedade não aconteceria ou repetiria-se as atrocidades e crimes do Holocausto, especificamente o genocídio no campo de concentração de Auschwitz. A frase citada anteriormente faz referência ao princípio civilizatório. Esse refere-se aos fundamentos e valores de uma sociedade moderna, no contexto da educação ocidental. Inclui a racionalidade instrumental, que aborda a ênfase no controle racional, técnico e lógico, que utilizam a ciência como ferramenta de dominação e organização de uma sociedade; a crença de um avanço humano-tecnológico mensurado por um crescimento econômico e de conquistas científicas; o domínio e controle como ferramentas de exploração de recursos, a fim de alcançar patamares econômicos-políticos de seus interesses. Tendo em vista esse conceito, basta analisar a forma na qual esse princípio relaciona-se com a barbárie. Em uma sociedade cujo princípio civilizatório inclui a barbárie, há motivos de sobra para desespero. Isso acontece pois, segundo Adorno, a barbárie não necessáriamente é externa à civilização. Ela pode emergir dos princípios civilizatórios, ou fundamentos, de uma sociedade que por ele é sustentada. Nessas sociedades, pessoas são consideradas números e tratadas como objetos. Um exemplo disso é a forma em que pessoas em Auschwitz eram numeradas de forma "eficiente" e "organizada" (a princípio). Ao mencionar que, na pretensão da oposição, há algo de desesperador, ele expressa o quão difícil é combater um fundamento enraizado na estrutura de certa civilização. Isto é, a dificuldade de erradicar pensamentos geradores da barbárie, visto que já estão integrados em tais sociedades. Além disso, o sistema que perpetua a barbárie como princípio civilizatório, é resistente à mudança e extremamente poderosos. É necessario, portanto, uma oposição e transformação radical dos valores daquela civilização. Porém, isso requer esforços significativos. De onde o sistema encontra forças e espaço para instalar a barbárie até que seja intrínseca ao fundamento de sua civilização? Para responder a essa pergunta, observa-se, na obra de adorno, a citação: "(...) a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão." É importante e essencial pontuar esse "quê", e em quais condições ele é implantado. Existem muitos "quês". A ausência da educação, seja durante a primeira infância - pois todo o caráter humano é formado durante essa fase -, ou entre as esferas culturais-sociais que não permitem tais ações - ou seja criando um clima em que, deparados às consequências do horror, os cidadãos fiquem mais conscientes, ou sugerindo uma auto-reflexão crítica, visto que, quando presenciando grandes movimentos sociais, o ser humano tende a não tirar suas conclusões antes de seguir ao seu grupo de confiança. O ambiente que permite a barbárie se torne um fundamento, é aquele que, além da ausência da educação, possui uma autoridade que se desintegrou, porém seu povo não era capaz de se autodeterminar. Meio a incapacidade de lidar com a liberdade e autonomia, já que a edudação falhou em lhes ensinar isso, eles aceitam qualquer autoridade, ainda que destrutiva, mas que antes não havia encontrado a oportunidade de revelar-se. Ademais, o retorno da barbárie, leia-se do facismo, se dá não apenas pela questão social, mas também psicológica. Sociedades adoecidas carecem de vínculos de compromissos. Isto é, encontram prazer na submissão a autoridades negativas, contanto que possuam uma autoridade para obedecer. Adorno comenta que a perda de autoridade de uma sociedade é um prato cheio para que se instale a barbárie. A falta da educação, além disso, impede que ela veja a hipocrisia que lhe comanda. Porém, caso notada, é possível que isso se torne um passaporte moral, tanto para a identificação, quanto para o ressentimento. "O único poder efetivo contra o princípio de Auschwitz seria a autonomia." Nessa passagem, Adorno conclui que compromissos externos, ou seja, normas impostas por autoridades, heteronomia, ausência de internalização (regras socias, normas morais ou ordens superioras) são perigosos, porque não levam à reflexão crítica - essa sendo a principal arma contra o facismo, contra o autoritarismo e contra a barbárie. Confirmando a frase de Adorno, existem exemplos claros de demonstração da barbárie em estruturas sociais, ao longo dos últimos séculos e na sociedade contemporânea. Ainda hoje, ainda enfrenta-se desafios relacionados à barbárie. Aém de Auschwitz e o Holocausto com todos os seus crimes, há a opressão racial sistêmica, em forma de escravidão e colonialismo, sustentado pelas estruturas econômicas e culturais das sociedades que as fundamentam; e outro exemplo é a Primeira Guerra Mundial que, fundamentado em nacionalismos extremos e alianças militares, causou aproximadamente dezoito milhões de mortes com sua destruição em massa. A opressão racial advinda da escravidão reflete na sociedade contemporânea como racismo e violência. E os conflitos sociais, militares e culturais das Guerras mundiais, influenciam pensamentos extremistas em certos grupos socialmente privilegiados e nacionalistas. Diversas experiências formativas podem ser pensadas, na atualidade, a fim de prever a barbárie de instaurar-se em seus princípios. Há a possibilidade de iniciativas educacionais focadas na conscientização de desigualdades sociais, com práticas e discursos inclusivos e decoloniais. A educação decolonial enquanto promotora da interseccionalidade, do acolhimento e conhecimento sobre as mais diversas culturas, com a prática do respeito, da preservação da autenticidade e pensamento crítico. Tais práticas se veêm necessárias desde a tenra infância até civis adultos. Podem incluir tecnologias de inteligência artificial, o auxílio de profissionais e epaços apropriados com práticas lúdicas. Pesquisas científicas e sociais e o incentivo do governo acerca de tais práticas. Que, além das escolas, possam ser incluidas em espaços terceirizados, programas integrados ao lazer e a cultura (Ex: músicas e atividades físicas) e com o apoio financeiro do governo aos orgãos educacionais públicos que realizariam tais práticas. Em suma, a citação de adorno acerca da barbárie estar no princípio civilizatório de certa sociedade mostra que tem algo profundamente errado e que se assemelha ao irreversível, causando desespero. É profundamente necessário encontrar os espaços e circunstâncias propícios para a instalação da barbárie e lutar contra isso. A maior ferramenta contra a barbárie é o pensamento crítico, o qual só pode ser conseguido a partir da educação. Sendo assim, a educação é o oposto da barbáie, e a arma mais poderosa contra ela. É necessário a implementação de experiências formativas que sejam veículos para essa educação acontecer.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.6 / 8
    • 5 estrelas63%
    • 4 estrelas38%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%