Acrescenta-se uma gota diferenciada de prazer à leitura quando as histórias, tramas e causos retratados na obra são autobiográficos. Como se cada vírgula lida se tornasse mais palpável - e elas tornam-se mesmo. O que não falta a Moacir Japiassu é assunto; amores, conversas, trivialidade, aprendizados a contar. As crônicas da década de 80, veiculadas no Modo de Vida do Jornal da Tarde, abrem ao leitor a livre infância do autor em João Pessoa, a juventude na boêmia Belo Horizonte de 1950, o trabalho no Rio de Janeiro.
Três décadas e tanta mudança. Felizmente, no modo como a mulher é vista ( argh! Há passagens que arrepiam qualquer ideal minimamente feminista), na relação entre pais e filhos, na facilidade de comunicação, no debate de questões públicas. Em contrapartida, muito perdido no contato entre amigos, amantes, na simplicidade das relações. Ah, e as cartas. Saudosismo em cada página.
Japiassu escreve com a entrega e a sinceridade de quem expõe fatos íntimos para fazer arte – fazer o outro rir, sorrir, suspirar, refletir, chorar, discordar e também amar as figuras que se repetem e por quem já vai nutrindo muita simpatia. Quisera eu ter feito minha busca virtual por “footing” mais cedo.