Cinco meses de Ortega y Gasset
No penúltimo dia do ano, acabo este livro que li durante uns cinco meses. Culpo a vida corrida e a complexidade simples do texto, defendendo-me ante a alcunha de "preguiçoso", provavelmente correta. Mas isso é para dizer que tanto tempo compartilhado com o livro fez com que algumas ideias se imiscuíssem mais facilmente no meu semestre final de 2026. Talvez o principal ponto seja o diagnóstico deste cansaço que sentimos com tantas possibilidades de vida que se ofertam a nós nos dias de hoje. Isto faz, justamente, com que não escolhamos, ou que não nos preparemos - terceirizemos nossos afazeres. Não fazer nem escolher por acreditar que as coisas sempre estarão à mostra para nós; sentarmo-nos confortavelmente numa poltrona numa casa mais ou menos confortável sem pretensões nem planos de saber as coisas. Acaso não é isso o que acontece em nossa relação com a IA? Dito de outro modo, parece que cada vez mais queremos ter todas as coisas e não fazer nada, o que nos leva à incapacidade de escolher. Podemos acreditar que isso é liberdade; mas, para mim, é balela. Acaso liberdade não é liberdade de escolher? noção que se encontra quase esquecida.
